A Fazenda dos Cordeiros é uma fazenda que recebe turistas, amigos e familiares, fugindo do padrão de Turismo Rural que se apresenta hoje na maioria das fazenda que procuram sustentabilidade através do Turismo. Considerando o mundo de hoje no qual se amalgamam a natureza, a tecnologia e o desenvolvimento do capital, onde surgem e tomam novos significados pensamentos filosóficos, teorias científicas e identidades culturais sob as influências da globalização, da aceleração e da instabilidade da vida, decidimos convidar Fritjof Capra com sua visão ecológica para tentarmos entender essas relação…se é que existem de fato….
Podemos dizer que o mundo atual está marcado entre a contradição e a hibridação, revelando sua complexidade. No contexto desse quadro social, as transformações no tempo de ócio e nas formas de lazer adquirem notoriedade. A Fazenda dos Cordeiros vem ao longo dos últimos anos trabalhando em consonância com tais mudanças e observando o surgimento de novas demandas de satisfações via experiências rurais verdadeiras, fortes e intensas.
A prerrogativa contemporânea por experiências marcantes encontra seu denominador comum no Turismo EcoRural, como gostamos de definir aqui na fazenda, as práticas rurais verdadeiras capaz de proporciona o contato com a natureza e com o patrimônio cultural local, de forma a suscitar emoções como o êxtase e a adrenalina. Assim apresentamos respostas às novas demandas que estão relacionadas a realização de atividades que se contrastam ou se aproximam do trabalho diário e da vida cotidiana como ela, afinal somos apenas “uma fazenda que recebe”
Aqui você terá experiências de viagem diferenciada, por desafios, a “aventura” é cobiçada na tentativa de descartar-se da rotina, de recarregar as energias, de aliviar o estresse, ou até mesmo como um aperfeiçoamento das habilidades de flexibilidade, rapidez e dinamismo que o mundo contemporâneo, instável e
Acelerado nos vem exigindo.
Tendo em mente as diversas modalidades, práticas, tecnologias, motivações, símbolos, riscos, ambientes e tudo mais que convidamos você a compartilhar nossa visão ecológica no contexto de Fritjof Capra. Nesse sentido, expande-se a discussão para além de conceitos turístico, tendo em vista a necessidade de apresentar um quadro dinâmico, as particularidades e as idiossincrasias do segmento rural, com foco no Turismo EcoRual.
Na Fazenda dos Cordeiros trabalhamos alinhados com o pensamento ecológico, de Capra, que é oposto a lógica disjuntiva e ao conhecimento fragmentado. A partir da prerrogativa de não ceder ao pensamento simplificante, acreditamos no pensar complexo, em que a incerteza não é expulsa, mas é integrada, em que a dúvida não é desvalorizada, mas considerada.
Para alcançar o pensamento complexo que se caracteriza pela união, pela conjunção e pela articulação, é necessária uma reforma do pensamento que compatibilize o conhecimento do contexto, do global, do multidimensional e do complexo com as atuais realidades multidisciplinares, transversais e planetárias (MORIN, 2005).
A contextualização das informações é imprescindível, pois estas estudadas de forma isolada perdem sentidos e para ter significado a palavra necessita de seu texto e o texto requer o contexto onde é enunciado. Acreditamos no princípio do global, da diversidade das partes relacionadas de modo inter-retroativo ou organizacional.
Trabalhar na Fazenda dos Cordeiros em harmonia com o pensar complexo, ecológico, exige a compreensão dos fenômenos transcendente aos referentes contextos, numa orientação para uma lente que enquadre o todo, aliada à ideia de inter-retroação das partes. O esforço de entender o Complexus significa:
[…] o que foi tecido junto; de fato, há complexidade quando elementos diferentes
são inseparáveis, constitutivos do todo (como o econômico, o político, o
sociológico, o psicológico, o afetivo, o mitológico), e há um tecido interdependente,
interativo e inter-retroativo entre o objeto de conhecimento e seu contexto, as partes
e o todo, o todo e as partes, as partes entre si.
Consideramos que o conhecimento especializado e fragmentado, em função de seus recortes, impossibilita perceber “o que foi tecido junto”. A especialização extrai o contexto dos fenômenos, ao mesmo tempo em que rejeita as relações e intercomunicações com o meio e o insere no setor conceitual abstrato que é o da disciplina compartimentada, cujas fronteiras quebram a sistemicidade e a multidimensionalidade dos fenômenos, conforme defende MORIN, 2005, um pensador francês.
A Turismo EcoRural proposto e defendido pela Fazenda dos Cordeiros não quer ser exaltado como mera mercadoria a ser consumida até suas últimas conseqüências, queremos difundir a epistemologia da complexidade da vida rural, percebida como uma colcha de retalhos de diversos conhecimentos justapostos. Apresenta-se a complexidade, portanto, como um desafio ao pensar, tendo em vista que esta pressupõe uma reformulação do
pensamento, onde se privilegia as noções do global e do total, e se exclui a simplificação.
Trata-se de um esforço para romper com o método da disjunção entre as partes separadas e fechadas e da redução a um elemento simples, dado o fato que a inteligência mecanicista e reducionista rompe o complexo do mundo em fragmentos disjuntivos, fragmenta os problemas, separa o que está integrado, torna unidimensional o multidimensional.
“É uma inteligência míope que acaba por ser normalmente cega” (MORIN, 2005, p.43).
Dessa forma, a abordagem da complexidade propõe unir o que foi compartimentado e enfim compreender, a partir de um olhar para uma “totalidade aberta”, as inter-relações entre o todo e as partes multidimensionais.
O físico Fritjof Capra defende uma visão ecológica, que nos inspira e afasta as visões mecanicistas e reducionistas de Descartes e Newton.
Capra, expõe que se observa hoje uma revisão das concepções e das idéias nas ciências como parte de uma transformação cultural e social muito mais ampla, pois o paradigma que está retrocedendo gradativamente perpetuou o conhecimento por centenas de anos, durante os quais modelou a sociedade ocidental e influenciou o restante do mundo.
A nova visão apreende o mundo como um todo integrado e não como uma coleção de partes dissociadas. “A percepção ecológica reconhece a interdependência fundamental de todos os fenômenos e o fato de que, enquanto indivíduos e sociedades estão todos encaixados nos processos cíclicos da natureza” (CAPRA, 1996, p.25).
Apesar de adotar as expressões “holístico” ou “ecológico” para designar o novo
paradigma, Capra (1996) esclarece que estas se diferem ligeiramente, pois a visão “ecológica” transcende a noção da totalidade e da interdependência das suas partes, ao denotar instantaneamente a inter-relação com o ambiente natural e social. Ademais, o sentido da palavra “ecológico” utilizada por Capra associa-se com o conceito de “ecologia profunda” da escola filosófica fundada por Arne Naess, no início da década de 70.
(…) a ecologia rasa percebe o ser humano como localizado fora da natureza, o que a torna antropocêntrica, e a ecologia profunda não faz esta separação por compreender o mundo como uma rede de fenômenos (…)
Vale a pena lembrar que esta abordagem “ecológica”, não é uma novidades, e no século XIX,ficou conhecida como “sistêmica”, a maneira de pensar que ela sugere foi nomeada de pensamento sistêmico. Dessa forma, um sistema passou a significar um todo integrado cujas propriedades essenciais nascem das relações entre suas partes.
Na Fazenda dos Cordeiros, consideramos os princípios da visão ecológica, fundamental na concepções dos nossos pilares de sustentabilidade, representados pela interdependência, pelo fluxo contínuo de recursos, pela cooperação, pela parceria, pela flexibilidade e pela diversidade, onde propomos dialogo permanente entre os atores locais e os poderes legalmente constituídos. A perspectiva do pensar ecológico complexo sinaliza para um processo dialético irredutível e incontornável entre o humano e a natureza, como bem descrito por Morin (2005):
… “o homem está na natureza; a natureza está no homem”; ressignifica o conhecimento, diferindo-o da ciência da simplificação e dos princípios de ordem, clareza, distinção, disjunção que a constituem; e aproxima-o dos valores da cooperação, integração, interdependência, multidimensionalidade que a visão ecológica amparada no paradigma da complexidade enfatiza.
Transformar em realidade o Turismo EcoRural à luz da teoria da complexidade e da visão ecológica requer um esforço focado no todo complexo e nas inter-relações das partes que constituem esse segmento, como também no contexto em que ele se realiza. Com o intuito de organizar a presente reflexão optou-se por estruturá-la em função da configuração e da dinâmica do segmento turístico e do sujeito, o turista.
Inicialmente, destaca-se a notória problemática de definição deste nicho turístico, dada às contradições e imprecisões evidenciadas no mercado e na academia. O principal conflito que se confirma ao tratar da conceituação deste setor se baseia na dificuldade em unificar a percepção de aventura de um grupo, pois ela é particular e sua compreensão apresenta variações de indivíduo para indivíduo com base em suas histórias, tradições e culturas.
Na Fazenda dos Cordeiros nossa abordagem conceitual para o Turismo EcoRural, conjuga a atividade com o espaço, ambiente que proporciona a exploração e a descoberta da ação a ser exercida pelo turista, propondo com as emoções que a viagem proporciona, a partir do reconhecimento da história local e integração com seus atores.
O conjunto de vivências e experiências realizadas na Fazenda dos Cordeiro com seu cenário natural proporciona emoções fortes, sensação de prazer e configuram a experiência da vida no campo como ela é.
Não obstante, os espaços naturais que proporcionam as sensações ecológicas, são circunstancialmente locais de natureza frágil e por sua vez de maior potencial de riscos à natureza e às comunidades locais. Nesse sentido, somente a partir da compreensão da organização e da dinâmica territorial é que podemos refletir e avaliar os impactos que provocamos pela apropriação mesmo que efêmera da natureza pelo turismo.
Convidamos você para conhecer o pensamento ecológico de Capra aplicado na Fazenda dos Cordeiros, onde na verdade criamos apenas uma provocação onde possamos, ao vender ou consumir o Turismo, entender melhor o quão responsável somos pelo lugar onde vivemos, trabalhamos e desfrutamos.
Sabemos que na prática a teoria é outra e que podem não dar conta de nossas reflexões, em virtude da multiplicidade de temas inerente ao contemporâneo nicho do Turismo.
Na dialógica dos paradigmas da complexidade e da visão ecológica, numa concepção para além das obviedades aparentes, reducionistas, vamos olhar o que transcende as características mercadológicas de oferta e procura, na perspectiva do pensamento ecológico complexo.
Última atualização em 20 de janeiro de 2026 por Equipe de Comunicação