Na Fazenda dos Cordeiros temos 3 eixos principais de atuação:
- Turismo EcoRural
- Agricultura Sintrópica
- Mudas da Mata Atlântica
Agora falaremos do Turismo EcoRural, como ele se desenvolve, seus desafios e suas características, considerando que não é de fácil aplicação, sobretudo em curto prazo, uma vez que para o seu cumprimento devem contar com o compromisso do setor privado, com outros produtos locais e a organizações da sociedade civil.
O Turismo EcoRural, que praticamos mesmo sendo qualificado pelo prefixo “eco”, não designa apenas uma prática convencional de turismo dirigido às áreas naturais, geralmente ocasionando problemas, como expulsão e marginalização de populações locais, poluição e degradação dos recursos naturais, expropriação e ocupação do território. degradação de culturas tradicionais, entre outras consequências, já constatadas pela academia, GOMES, 2003.
Na realidade, a busca pela “venda” da natureza como “produto de mercado”, faz com que toda e qualquer atividade nela desenvolvida, seja rotulada como ecoturismo, neste sentido, discute que a natureza é transformada pela mídia, em desastre ou paraíso. A imagem da natureza como paraíso alimenta o marketing no ecoturismo, tendo como foco o mercado e não a conduta consciente do turista no ambiente natural.
A literatura testemunhada por Fennel assinala que o ecoturismo “foi reembalado e produzido em massa, na expectativa de aumentar sua participação no mercado”. Neste contexto, surge a emergência de um perfil de demanda elitizada pelo ecoturismo, associado a um público capitalizado e disposto a pagar pelo “encontro” com o ambiente natural, inflacionado pela comoditização da natureza.
Na Fazenda dos Cordeiros o que denominamos de “ecorural” visa o o contraponto com a realidade cotidiana, a oportunidade de experiência integral de valor afetivo, a partir da interação do sujeito com os recursos naturais e culturais que possuímos no ambiente rural, tendo a natureza como principal fator inspirador .
O Eco Turista Rural que desejamos “não é um turista qualquer”. Idealmente , o nosso turista se pauta na conduta consciente, na busca de experiências diferenciadas, que visem à conservação do patrimônio natural e cultural, com a expectativa de que a sua prática turística venha a contribuir para o desenvolvimento local.
Na Fazenda dos Cordeiros o turista ecorual participa do cotidiano de uma fazenda de verdade, não é um agente passivo de um processo decidido por empresas de turismo e viagens, muito menos um figurante da pressão do mercado “ecologicamente correto”, mas sim um agente de transformação social protetor da natureza e da cultura rural, capaz de contribuir positivamente na mudança do processo socioeconômico local.
A Embratur realizou um estudo sobre demanda turística internacional para o Brasil, o qual investigou também a demanda pelo ecoturismo. Este estudo revelou que a motivação para a viagem dos ingressos no país, em 2000, foi de 57% por turismo e 23% por negócios. No primeiro caso, o fator decisivo para a escolha do país esteve relacionado aos seus atrativos em geral, e desses apenas 14% foram diretamente relacionados ao ecoturismo. A entrada de turistas, em 2000, chegou a 5,3 milhões, porém, destes poucos visitaram os locais designados como pólos do ecoturismo no Brasil (MAGALHÃES, 2001). Estes dados indicam que o ecoturismo no Brasil e, não está ainda consolidado como alternativa no mercado. Cabe ressaltar ainda, a dificuldade do êxito do desenvolvimento do ecoturismo na Amazônia, por exemplo, pelos altos custos envolvidos em deslocamento e dificuldades de acesso, o que tende a restringir e selecionar o perfil do turista, mesmo que, no panorama mundial, o crescimento da demanda pela prática do ecoturismo tenda a ser superior às taxas de crescimento do turismo em geral (GTC/PROECOTUR/MMA, 1998).
Também é preciso considerar que o Brasil é um destino, cuja oferta se associa a preços elevados para o “eco” em relação à diversidade de destinos turísticos disponíveis mundialmente. Considerando que estamos a pouco mais de 100km da cidade do Rio de Janeiro, principal porta de acesso dos turistas estrangeiros no Brasil e que no imaginário coletivo o “eco” se vincula muito mais à cultura e, portanto, ao fator humano, do que ao patrimônio natural, muitos estudiosos envolvidos na discussão sobre o tema criticam a maneira pelo qual o ecoturismo vem sendo difundido no Brasil e no mundo. Por essas e outras razões que na Fazenda dos Cordeiros praticamos o Turismo EcoRural, como defendido nos estudos para o Ecoturismo de Base Comunitária, pela OMT que apontam que, em sua origem, o ecoturismo é realizado por pequenos grupos, em uma prática de mínimo impacto, de modo que proporcione conhecimento e interpretação do patrimônio natural e cultural, e interação com o modo de vida local (MITRAUD, 2003).
O enfoque importante à ressaltar se baseia, principalmente, na conduta ética do turista que desejamos na Fazenda dos Cordeiros, onde não interpretamos o ecoturismo apenas sob o viés econômico, mas com base em suas interfaces social, cultural e ambiental, além do compromisso de desenvolvimento com as populações envolvidas, nas práticas educativas compatível com os propósitos de conservação da natureza.
Na Fazenda dos Cordeiros um dos principais desafios tem sido a mobilização e engajamento político da população local diretamente afetada a conservação da natureza e melhoria da qualidade de vida. A sistematização de dados e a própria avaliação crítica de desempenho não é simples considerando o conceito que vem sendo utilizado de forma equivocada, “para qualquer tipo de turismo, no qual o bem natural é o atrativo, mas os compromissos de sustentabilidade não parecem claros”.
Assim, o Turismo EcoRural se confunde com outras terminilogias na definição de ecoturismo, como turismo de aventura, turismo de natureza, turismo ecológico, sustentável, agroturismo, turismo rural, turismo verde, turismo em áreas naturais, entre outros. O Turismo EcoRural praticado na Fazenda dos Cordeiros, devido ao seu potencial inclusivo e de conservação da natureza é uma importante alternativa para a promoção do desenvolvimento local sustentável, uma vez que desenvolvimento não implica apenas a esfera econômica, mas principalmente o fator humano, que segundo Coriolalo (2003) e esse é um dos maiores desafios da sociedade contemporânea.
A Fazenda dos Cordeiros inserida no Movimento Silva Jardim Sustentável defende o desenvolvimento territorial sustentável, com base no “eco” turismo, um veículo potencial no campo das reflexões fundamentando, tanto na dimensão endógena, que enfatiza as necessidades internas das populações de determinado ecossistema, quanto na dimensão exógena, que visa, por sua vez, uma mudança no contexto social a partir da interrelação do homem com seu hábitat.
O Movimento Silva Jardim Sustentável trabalha um coletivo dinâmico que busca Interpretar o desenvolvimento como processo de mudanças, sobretudo qualitativas, a ser construído sob a ótica local, que permite “a construção de poder endógeno para que uma determinada comunidade possa autogerir-se, sendo estimulado e fortalecido o seu potencial social, cultural, econômico, ambiental e político; e, sobretudo, o seu bem-estar social. Nesse caso, os recursos endógenos são entendidos sempre como ponto de partida e nunca como ponto de chegada, e desenvolvimento local tem que ser reconhecido como um processo que não ocorre em curto prazo, envolvendo uma série de transformações e de estratégias que venham a promovê-las.
O que a Fazenda dos Cordeiros mais estimula no Moviemento é uma noção polissêmica, e necessariamente comporta tantas quantas sejam as dimensões em que se exerce a cidadania. Assim, a idéia de cidadania passa a ser norteadora na tentativa de se mensurar processos e estoques de bem-estar e qualidade de vida, e se associa ao indivíduo autônomo, crítico e reflexivo, contrariamente ao “indivíduo-massa”.
Portanto, “o desafio do Movimento Silva Jardim Sustentável e dar conta dessa complexidade, e não voltar as costas para ela. O Turismo responsável, com forte destaque ao “eco” é a ferramenta de participação social, um elemento central para o êxito de todas as iniciativas locais.
O conceito de participação social é entendido por Loureiro (2005, p. 23):
‘…um processo que gera a interação entre diferentes atores sociais na definição
do espaço comum e do destino coletivo. Em tais interações, como em
quaisquer relações humanas, ocorrem relações de poder que incidem e se
manifestam em níveis distintos em função dos interesses, valores e
percepções dos envolvidos…’
O Movimento Silva Jardim Sustentável, compreende que o processo envolve compartilhamento dos poderes, respeito ao outro e garantia de igualdade, dentre outras. A participação social é condição primordial para que determinados atores sociais mobilizem seu próprio potencial, representem agentes sociais ao invés de atores passivos, gerenciem os recursos, tomem decisões, realizem e controlem as atividades que afetam a sua vida. O engajamento da população no processo de desenvolvimento sustentável, constitui um passo essencial para a transformação da nossa realidade.
A Fazenda dos Cordeiros entende que o principal papel do Movimento Silva Jardim Sustentável e a luta pelos direitos individuais que vai resultar numa intensa construção comunitária, a partir do seu “poder interior de despertar e conduzir os homens uns aos outros, face a face”, dando forma à coletividade em processo de transformação contínua, conforme Saviolo, Delamaro e Bartholo (2005, p. 29) já desertara em seus trabalhos científicos.
E isso não significa destruir costumes tradicionais, mas agregar e, ou criar novos valores e práticas. Assim, para que a comunidade se efetive, cada um de seus membros deve confirmar o outro na ação recíproca que se instaura no diálogo.
Temos que estimular o dialoga amplo, irrestrito, proporcionando participação social e quando essa é efetiva no processo de desenvolvimento, esse se torna uma experiência transformadora, podendo tornar as pessoas mais reflexivas a seu respeito e provocar a revisão de questões que afetam o seu futuro e dos recursos naturais dos quais dependem.
Participação social provoca um efeito psicológico sobre os que participam em um determinado processo, assegurando uma inter-relação contínua entre o funcionamento das instituições e as qualidades e atitudes psicológicas dos indivíduos que interagem dentro delas. O exercício da participação em tempos de Redes Sociais tende a consolidar o “valor da liberdade para o indivíduo, capacitando-o a ser seu próprio senhor”. O processo participativo assegura, que ninguém do grupo seja senhor de um outro, uma vez que todos são igualmente dependentes entre si e igualmente sujeitos as regras do grupo.
No Movimento Silva Jardim Sustentável as decisões coletivas são aceitas mais facilmente por todos e o efeito da participação social é o de integração, uma vez que “ela fornece a sensação de que cada cidadão isolado pertence à sua comunidade”. Queremos que o Movimento Silva Jardim Sustentável a nível local exerça o verdadeiro efeito educativo da participação, pois é nessa esfera que as questões tratadas afetam diretamente a comunidade e nossas vidas cotidiana.
O Turismo EcoRural praticado na Fazenda dos Cordeiros e defendido como modelo desejável de desenvolvimento local deve ressaltar a participação da comunidade local na elaboração de instrumentos de planejamento com o enfoque na diversidade como aspectos essenciais para o êxito de qualquer projeto que busque o desenvolvimento ético e equilibrado da sociedade civil.
Pensar transversalmente universos de referências sociais e individuais significa abdicar do saber totalitário e optar por novas formas de construção de realidade baseadas no saber compartilhado, na experiência coletiva e no poder da participação. Só assim o Turismo com base no “eco” deve discutir prioridades e identificar que passos deverão ser dados com este objetivo, que concessões estarão dispostas a fazer, e quais os elementos inegociáveis de sua postura relacional. Isto implica na necessidade de garantir, localmente, a pluralidade possível de idéias e controvérsias, e aceitar que estes são elementos constitutivos do princípio dialógico, que envolve incerteza e risco
Venham visitar a Fazenda dos Cordeiros, colaborar com o Movimento Silva Jardim Sustentável…e fazer sua opinião ter voz.
Última atualização em 24 de fevereiro de 2026 por Ayrton Violento