Turismo EcoRural x Turismo Comunitário

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Para a Fazenda dos Cordeiros o Turismo EcoRural de base comunitária contribui para agricultura familiar de forma muito mais direta e eficiente do que se possa imaginar.

Sabemos que a quantidade e espacialidade de empreendimentos e iniciativas de turismo comunitário e da agricultura familiar do Brasil é indefinida. Não há política nacional que inclua esses dois atores nas estatísticas oficiais, nem as informações das principais redes e coletivos de turismo comunitário e afins como a REDE BATUC, a REDE TUCUM, a REDE NAHNDEREKO, a ANDA Brasil e a ACOLHIDA NA COLÔNIA.

Existem propostas tramitando na Assembleia do Estado e no Congresso Nacional, mas nenhuma em consulta popular. Nem a Rede Nacional de Turismo Solidário e Comunitário – TURISOL e nem os integrantes remanescentes da extinta Rede de Turismo Rural da Agricultura Familiar – TRAF e da ANDA Brasil possuem indicadores que espelhem essa realidade nacional com precisão.

A extinta Política Nacional de Turismo na Agricultura Familiar (2004/2007) tinha como meta capacitar cerca de 10 mil agricultores por ano, mas não mencionava o montante existente no país. A ANDA BRASIL chegou a contabilizar cerca de 550 circuitos em sua maioria ligados a agricultura familiar em 2014, com mais de um milhão de usuários. O documento do SEBRAE Retratos de Turismo Rural com Foco em Pequenos Negócios (2013) falava da existência de 122 empreendimentos com esse perfil em dez estados brasileiros. Já para o turismo comunitário se estimava a existência de cerca de 500 iniciativas pelo Brasil em 2008, com base na demanda recebida pelo Ministério do Turismo para seu único edital lançado até hoje.

A REDE BATUC – Rede de Turismo Comunitário da Bahia (@redebatuc_oficial), se aliou a Pesquisa de doutoramento intitulada De Mala & Cuia Difusão de Conhecimentos e Saberes em Ecogastronomia e Turismo Comunitário na Educação do Campo (@malacuia_ppgdc) do Programa de Doutorado em Difusão do Conhecimento da UFBA/UNEB/IFBA/LNCC/SENAI-CIMATEC para atualizar alguns dados sobre os empreendimentos e iniciativas da rede referentes a 2025.

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Alberto Viana, meu amigo e responsável pelos estudos na Bahia levantou que do ano de 2019 para 2025 houve aumento de iniciativas recebendo visitantes, e que o fluxo de visitantes total teve um aumento de 130% de visitantes/ano, representando um aumento de renda de 234% com relação ao mesmo período

Em Silva Jardim, após a inauguração do Parque do Mico Leão Dourado, é possível perceber pelos esforços das iniciativas e parcerias locais, que o trabalho em REDE, com promoção do destino em eventos no Brasil e no exterior e com as premiações obtidas nos últimos cada vez vai crescer mais e precisamos estar antenados e conectados para tirarmos proveito desse momento único de crescimento e desenvolvimento local.

A Fazenda dos Cordeiros, sempre trabalhando pelas parcerias e fortalecimento das REDEs, acredita que o Portal do Circuito EcoRural de Silva Jardim e o Circuito de Longa Distancia da Trilha do Mico Leão Dourado, incluindo o lançamento de um site, um plano de marketing, aumentará a presença do setor impactando em resultados positivos, principalmente para novos filiados que também já recebem visitantes regularmente.

Silva Jardim é um dos maiores município do Estado do Rio de janeiro em extensão territorial e que tem a maior quantidade de agricultores familiares estabelecidos e distribuídos em pelo menos 3 Assentamentos Rurais, legalizados pelo INCRA, em plena Floresta da Mata Atlântica.

A produção agrícola e pecuária, as atividades rurais não agrícolas como pequenas agroindústrias, artesanatos, estabelecimentos de gastronomia, atividades culturais, artísticas e esportivas, e atividades de finanças solidárias, são elementos que junto com o turismo, vão diversificando a renda, gerando o trabalho e fomentando a fixação da juventude no campo.

O Turismo e sua produção associada também fomentam o trabalho feminino, o cooperativismo popular, ao lado do resgate e fortalecimento de atividades ancestrais, como formas de cultivo, de criação, receitas de preparo de alimentos, rituais religiosos e formas de convivência harmoniosa com a natureza.

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Na Fazenda dos Cordeiros e nos demais destinos parceiros do Circuito EcoRural de Silva Jardim, a agroecologia como modo de vida, os saberes populares aliados a conhecimentos científicos, o desejo de bem estar, de reencontro com a natureza, com as tradições, com a vida mais simples e calma e uma alimentação natural e saudável, tem motivados fluxos de visitantes cada vez mais constante, assim como a observação do Mico Leão Dourado.

Iniciativas em comunidades rurais, quilombolas, assentamentos de reforma agrária, territórios indígenas, pescadores artesanais e das reservas extrativistas como por exemplo da Palmeira Jussara, formam um mosaico que vem atraindo visitantes, numa média mensal preocupante em função da falta de infraestrutura básica, como água, saneamento básico, estradas e transporte publico, para um destino que se auto declara “Capital do Eco Turismo”.

A Trilha do Mico Leão Dourado, um circuito de longa distância credenciado na REDE Brasileira de Trilhas que vem sendo implantada pela AMLD e apoio do GEF, via MMA, também alcança áreas protegidas do estado pois diversas iniciativas estão nas Áreas de Proteção Ambiental, no encontro de Reservas Extrativistas e de Parques Nacionais, Estaduais e Municipais.

Estudos comprovam que a renda presumida gerada pelo conjunto das iniciativas, utilizando-se o parâmetro de 2019 atualizado pelo IPCA, poderemos chegar a um gasto médio por visitante de R$ 500,23, o que no total pode alcançar estimados R$ 11.867.942,56, extras circulando no município.

Essa renda complementa e fortalece as atividades rurais principais, confirmando o que Gascón e Cañada (2025) afirmaram com relação a experiências no Peru e na Costa Rica de que as introduções de ofertas turísticas controladas e geridas pela própria população rural podem incentivar a agricultura familiar, complementar as atividades primárias tradicionais sem as substituir, e causar uma sinergia entre essas atividades, ambas se fortalecendo.

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A Fazenda dos Cordeiros acredita que os impactos econômicos e não econômicos estão muito próximos e não devem ser analisados de forma isolada. Podemos citar um relato de uma liderança do Quilombo Engenho da Ponte na Bahia (@turismocoletivojovensquilombo).

“uma mãe de um guia de 16 anos me procurou surpresa pois seu filho chegou em casa com uma quantidade de dinheiro que toda a família ganha em 15 dias de trabalho, e ela fiquei com medo que ele tivesse feito coisa errada, tivesse entrado em alguma atividade ilícita, e eu confirmei que foi do turismo comunitário e que ele trabalhou muito bem, e era só o começo…ela ficou tão feliz que ela passou a dar mais valor a própria comunidade…então a gente fica sem poder separar o que é só benefício do dinheiro ou não…”

A Fazenda dos Cordeiros está de porteiras abertas para os grupos se reunirem em REDEs e trocarem conhecimentos e saberes onde todos ganham. Fortalecer todas as comunidades, especialmente da agricultura familiar, assim como seus movimentos sociais, que defendem a regularização de territórios indígenas e quilombolas, a reforma agrária, a pesca artesanal, a agroecologia, a sociobiodiversidade, a economia solidária, a defesa da vida, da diversidade produtiva, e da juventude dentre outras é nossa missão.

Última atualização em 18 de abril de 2026 por Ayrton Violento

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