Pomar de SEMENTES – Boticário – ProMudas

Ayrton e Gustavo responsaveis pelo pomar de sementes ba Fazenda dos Cordeiros

Na Fazenda dos Cordeiros além do Turismo e das agroflorestas, produzimos mudas de Mata Atlântica no Horto A², para restauração florestal, somos sócios fundadores da Nativas do Brasil e da ProMudas Rio. Nosso objetivo é contribuir na diversidade de espécies e de formas de vida produzidas para a restauração sustentável e a riqueza genética do material utilizado; ampliar o conhecimento do ambiente natural; destacar o valor das áreas preservadas; e assegurar nossa viabilidade econômica.

A ProMudas Rio, da qual da Fazenda dos Cordeiros é uma das fundadoras, é pioneira em compreender a restauração ecológica como uma atividade essencialmente colaborativa onde a competição deve ser cuidadosamente regulada para que promova, em vez de restringir a restauração ecológica.

As mudas produzidas no Horto A² da Fazenda dos Cordeiros, têm sido utilizadas nos projetos da AMLD-Associação do Mico Leão Dourado, Florestas do Amanhã, FUNBIO, IIS – Instituto Internacional de Sustentabilidade, Caminhos da Mata Atlântica e em diversos outros de caráter privado.

Assim como a ProMudas Rio, a Fazenda dos Cordeiros incentiva e apoia a criação de novos viveiros no Rio de Janeiro porque a produção atual é muito insuficiente para enfrentar o problema no estado. Recentemente, a ProMudas Rio protagonizou a criação de uma associação da mesma natureza de âmbito nacional, a Nativas Brasil, que já conta com a participação de cerca de 70 viveiros, da qual também fazemos parte, e tem representantes em todos os biomas brasileiros.

No Horto A² temos conhecimento das espécies que ocorrem na Fazenda dos Cordeiros, percorremos trilhas, identificamos e conhecemos a fenologia das quase 300 matrizes de árvores nativas, que já produzem. Estamos treinados para escalar árvores e fazer a coleta de material fértil para identificação e reprodução, temos outras parceria firmada com herbários para identificações botânicas e o devido registro na base de dados do REFLORA.

A parceria do Horto A² com a ProMudas e a Fundação Boticário é dedicado à ampliação da diversidade, de espécies, e de formas de vida produzidas para as restaurações ecológicas no Rio deJaneiro.

Um dos frutos da parceira é a identificação botânica que exige conhecimentos além dos detidos pelos identificadores de campo. Nestes casos, ramos férteis são levados ao Herbário Friburguense da PUC-Rio que encarregar-se-á de fazer os registros na base de dados da Flora e Funga do Brasil. Este registro é muito importante para que as espécies tenham ocorrência confirmada no território do Rio de janeiro.

A parceria para implantação do Pomar de Sementes para o Horto A² é a solução para o fortalecimento da cadeia da restauração ecológica por meio da identificação botânica e plantio de novas matrizes de Ipê felpudo nas áreas de coleta da Fazenda dos Cordeiros.

Não é possível restaurar com qualidade a floresta mais biodiversa do mundo sem identificação botânica dos remanescentes que há, que não chegam a 15% do original, sem o georeferenciamento das matrizes com as quais se pode contar, sem sementes ou mudas.
Os novos pomares de sementes vão facilitar a coleta futura de espécies que atualmente se encontram em locais de difícil acesso, reduzir os custos desta atividade, aumentar a diversidade de espécies e de formas de vida disponíveis e a riqueza genética das mudas produzidas.
Este trabalho de recuperação das condições de vida na terra tem como beneficiários todas as formas de vida. A divulgação das novas listas de espécies disponíveis para plantio nos viveiros vai melhorar muito as condições de trabalho dos restauradores.
Esta solução pretende dar início ao processo de instalar e integrar, por meio de uma regulação adequada, muitos viveiros trabalhando em remanescentes florestais diferentes para que juntos disponibilizem uma variedade de espécies, formas de vida de plantas e diversidade genética que serão necessárias para a restauração em escala. Caso esta inicie antes, não será possível fazer com qualidade, o que pode causar danos à natureza.
Esta solução aumenta a oferta, mas não a demanda por sementes e mudas de qualidade, cuja falta só pode ser enfrentada com políticas regulatórias que criem incentivos aos proprietários de terras para fazer a restauração. Para esta política pública de aumento da demanda, só se pode contribuir participando do debate público, o que a ProMudas Rio vem fazendo ativamente.
A primeira atividade a realizada na Fazenda dos Cordeiros foi a identificação botânica que permitiu conhecer melhor o conjunto de matrizes disponíveis para produção. A lista de novas matrizes identificadas foi agregada ao conjunto que já se conhecia para formar um novo conjunto mais amplo de matrizes. Esta fase de identificação botânica incorporou outras formas de vida na identificação, e não apenas arvores, já que atualmente vem aumentando a consciência de que a restauração não pode envolver apenas o plantio de árvores, uma vez que todas as formas de vida são necessárias à reconstituição dos habitats.

Leia mais =>  Parceria com AMLD e FUNBIO

Estima-se que a Mata Atlântica do Rio de Janeiro tenha cerca de 20 mil espécies de plantas. A formação de pomares de sementes da Fazenda dos Cordeiros vai proporcionar lotes geneticamente ricos de sementes provindas de matrizes diferentes, com um amplo leque de matrizes aumentará as chances de sucesso das restaurações realizadas.

A seleção dos indivíduos plantados na Fazenda dos Cordeiros obedeceu os critérios listados a seguir: inexistência atual da espécie com ocorrência confirmada em tempo pretérito na área de coleta; oferta insuficiente de matrizes da espécie; espécie endêmica da região ou classificada com algum grau de ameaça de extinção; espécies que ocorrem na região em áreas de difícil acesso.

Em especial, o Ministério da Agricultura sugere que se colete de pelo menos dez matrizes diferentes para formação dos lotes. Este critério foi utilizado para definir se há uma oferta insuficiente de matrizes.

Na Fazenda dos Cordeiros plantamos no interior de remanescentes entre os grupos de espécies que farão parte da área recuperada realizada de modo a garantir a dinâmica de sucessão dos povoamentos.

Esta parceria é muito importante para o aumento da qualidade das restaurações do Estado do Rio de Janeiro. No passado, tentativas de restauração resultaram em florestas vazias, de sucessão estagnada. A formação de florestas biologicamente viáveis depende de muitas ações do que foi possível implantar até agora. Algumas áreas não conseguiram funcionar como abrigo para a fauna e ficaram vazias dos dispersores ou polinizadores necessários para repor as interações ecológicas em movimento. Em especial, reconhecemos hoje que algumas formas de vida não conseguem voltar sozinhas, como é o caso das epífitas ou da fauna que precisa ser reintroduzida. Sabidamente, as árvores representam apenas 15% da floresta e, normalmente, não têm sido capazes de fazer a restauração sozinhas.
A produção de mudas tem mais efeitos benéficos do que não. Porém, a exploração dos fragmentos deve ser adequada ao tamanho do remanescente, sob pena de destruir a floresta que deveria proteger. A coleta de sementes sem garantia de utilização representa perda. Também, a ênfase na redução dos custos com substrato pode levar à retirada ilegal de areia, ao corte de barrancos ou à retirada do solo das florestas. Há outros exemplos de práticas inadequadas que não ocorrem nos viveiros da ProMudas Rio.
O Horto A² da Fazenda dos Cordeiros está sendo beneficiado nesta solução estão operando há vários anos à frente do seu tempo por insistir em trabalhar com a maior diversidade de espécies e genética possível. A demanda por espécies nativas não tem sido grande porque as poucas licitações que há no estado ainda não exigem qualidade. Por esta razão, tem sido possível aos encarregados dos projetos apropriarem-se, como lucro, de toda a diferença entre preços e custos que forem capazes de gerar, justamente por meio da redução da qualidade das restaurações. Até agora, o trabalho de restauração realizado tem sido muitas vezes inútil, retornando as áreas degradadas, com o tempo, às condições anteriores.
Espera-se para o futuro um aumento substancial da demanda causado por mudanças regulatórias, pressão dos acordos internacionais, implantação efetiva do CAR e desenvolvimento do mercado de créditos premium de carbono. Além disto, as novas licitações provavelmente passarão a adotar projetos definidos, prazos muito maiores de implantação e manutenção e a exigir que as compras de mudas sejam feitas de viveiros diferentes para garantia da diversidade genética, o que vai reduzir o poder que os poucos compradores atualmente têm de comprimir as margens dos viveiros levando-os ao fechamento.
Atualmente, não se produz do Rio nem 5% das mudas necessárias para atender aos compromissos internacionais já firmados. A demanda adicional, caso venha ase concretizar, deveria ser atendida por novos viveiros, já que a expansão dos viveiros existentes é limitada pelo tamanho dos remanescentes que exploram. A ProMudas Rio quer ser capaz de apoiar a entrada dos novos viveiros no mercado.
Ainda que o aumento de demanda não se verifique, a ProMudas Rio pode prosseguir em seu modelo de negócios continuando a atender os proprietários que querem fazer florestas biologicamente viáveis.
O objetivo geral da parceria é aumentar a diversidade das restaurações feitas no Estado do Rio de Janeiro. Vários diagnósticos da produção de mudas do estado chamam a atenção para a baixa diversidade. Trata-se de um círculo vicioso. Restaurações aprovadas pelo regulador que exige apenas cerca de 20 espécies (Resolução INEA-143 de 14.06.2017) são replicadas com estas espécies na esperança de maximizar a probabilidade de aprovação final.
O Horto A² da Fazenda dos Cordeiros, implantou o pomar de sementes com 200 novas matrizes do Ipê felpudo, Zeyheria, árvore semicaducifólia com 6 a 20 m de altura e 30 a 50 cm de DAP, tuberculosa podendo atingir, no máximo, 35 m de altura e 90 cm de DAP, na idade adulta, com tronco reto, cilíndrico, fuste com mais de dois terços de altura total da árvore, ramificação monopodial no estagio jovem a dicotômica quando adulta, com a copa colunar quando jovem e cônica a globosa quando adulta.
Escolhemos o Ipê felpudo pela casca com espessura de até 5 cm, cinza-clara a pardo-amarelada, profundamente sulcada e muito fissurada, formando longas cristas longitudinais, escurecendo quando em contato com o ar, massa específica moderadamente densa de 0,80 g.cm³,(Mainiei, 1970a), com cor alburno é espesso, cerne amarelo-escuro, durabilidade alta e madeira flexível.
Essa espécie é o verdadeiro ipê-tabaco, nome dado pelo serradores, operários, quando esta serrando a madeira, ao respirar o pó da serragem, sofre um acesso de espirros, cujo o efeito lembra o pó de fumo popularmente conhecido como tabaco ou rapé (Duarte 1979).
A madeira do ipê-felpudo pode ser usada em construção civil, estruturas de casas e telhados, pisos, paredes de tábuas, obras externas, pontes, tacos de assoalho; cercas, mourões, postes, currais, paióis, cabos de ferramentas e instrumentos agrícolas, principalmente em pequenas propriedades rurais.
Madeira com alto poder calorífico, muito boa para lenha e carvão.

Leia mais =>  Experiência turística - Movimento Silva Jardim Sustentável

Agora só falta você conhecer o Pomar de Sementes do Horto A² na Fazenda dos Cordeiros. Venha nos visitar e conhecer ao vivo uma das matrizes do Ipê felpudo.

Referências Bibliográficas:
• DEAN, W. (1996) A Ferro e Fogo: a história e a devastação da Mata Atlântica brasileira. São Paulo: Companhia das Letras.
• DIAMOND, J. (2005) Collapse, Ed. Pengoin Books, Nova Iorque,
• FREIRE, J.M.et al;Forest Seedlings Supply for Restoration of the Atlantic Forest in Rio de Janeiro, Brazil. FLORA JCR, v. 29, p. 1-10, 2022.
• SEA – RJ (2010) Diagnóstico da produção de mudas nativas do estado do Rio de Janeiro
• SIMARD, S. (2022) A Árvore-mãe: Embusca da sabedoria da floresta, Ed. Zahar
• RODRIGUES R. BRANCALION P. ISERNHAGEN I. (orgs.) Referencial dos conceitos e ações de restauração florestal (2009) São Paulo, LERF/ESALQ, Pacto Pela Restauração da Mata Atlântica.

Última atualização em 12 de abril de 2026 por Ayrton Violento

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