Os processos de mudanças e desmontes de políticas públicas ocorridos no período de 2016 a 2022 no Brasil são um tema extremamente relevante, especialmente no momento atual, em que o país luta para fortalecer sua democracia e as diretrizes programáticas da Constituição Cidadã de 1988.

A Fazenda dos Cordeiros trabalha no sentido de reduzir todos os tipos de desigualdade e se engajar na agenda relacionada à mudança climática.

A Agenda da Biodiversidade representa não apenas a garantia de desenvolvimento, em bases sustentáveis, mas também, e principalmente, uma via para um futuro desejável, em um cenário preocupante de incertezas geopolíticas.

A Fazenda dos Cordeiros acredita no equilíbrio ecológico como premissa essencial para a sobrevivência humana, num futuro da sociedade global, não só pelo valor intrínseco e sagrado da natureza para a existência de muitos povos e populações tradicionais, como também pelos denominados “serviços ecossistêmicos”, como a regulação climática, entre inúmeros outros benefícios de sua utilização.

A biodiversidade representa um sério problema a ser enfrentado pela sociedade contemporânea, considerando o sentido de irreversibilidade associado ao processo de extinção de espécies (Joly et al., 2011) e seus efeitos na dinâmica ecológica e socioeconômica da humanidade.

Para a Fazenda dos Cordeiros a pauta da biodiversidade é essencial para o próprio futuro da humanidade, no contexto da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), a Rio-92, foi pactuada a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) (UN, 1992), principal marco jurídico de alcance internacional com esse objetivo que, desde a sua entrada em vigor, em 1993, vem inspirando políticas públicas (Bensusan, 2014; Prates e Irving, 2015).

Defender a conservação, o uso sustentável da diversidade biológica e a repartição justa dos benefícios gerados, no entanto, disputas e conflitos decorrentes da sobreposição de interesses econômicos, políticos e geopolíticos, fazem com que a sua implementação seja permeada por tensões permanentes entre os países signatários, abalando diretamente nossas intenções e atividades ecosustentáveis, como por exemplo, o Horto A², onde produzimos mais de 100 mil mudas de árvores por ano com quase 300 espécies da Mata Atlântica.

Pelo mais incrível que possa parecer em Silva Jardim, opera o poder de alguns proprietários com interesses políticos e econômicos contrários aos objetivos das APs. Para nossa sorte, inúmeros documentos de referência internacional, como o Global Environment Outlook 6: healthy planet, healthy people (Unep, 2019), o Global Biodiversity Outlook 5 (SCBD, 2020a) e o The Global Risks Report 2021 (WEF, 2021), têm reconhecido ser a proteção da natureza condição essencial para o futuro da humanidade, em bases sustentáveis, sobretudo em cenários de agravamento da crise climática.

O Movimento Silva Jardim Sustentável, do qual uma boa parte da sociedade civil do município faz parte, também pactua, no âmbito das Nações Unidas, a Agenda 2030 (UN, 2015a), que envolve dezessete Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que só serão alcançados até 2030, com o nosso engajamento efetivo.

Entre os ODS merecem destaque o ODS 14, que objetiva a conservação de oceanos, e o ODS 15, que visa proteger, restaurar e promover a utilização sustentável dos ecossistemas terrestres.

A Fazenda dos Cordeiros vem se destacando por suas parcerias importantes que coadunam com esses objetivos. Exemplo disso ocorre com a Associação do Mico Leão Dourado, Selva Green, Instituto Rios Verdes, Instituto Internacional para Sustentabilidade, IVV – Internacionaler Volksport Verbander , estratégicos para a Biodiversidade , ao qual se vinculam as vinte Metas de Aichi, entre as quais, a Meta 11, que se dirige especificamente às APs, conforme discutido por Machado et al. (2012).

No entanto, a realidade de um país continental, associado a graves passivos de desigualdades sociais e cujo processo de desenvolvimento vem sendo ancorado no uso insustentável da natureza, tem dificultado, consideravelmente, os esforços dirigidos à Agenda da Biodiversidade, diante do poder crescente de inúmeros interesses econômicos e políticos contrários a esse movimento.

Pensando de forma sistêmica e acreditando em dias melhores, trabalhamos na Fazenda dos Cordeiros, considerando alguns avanços mesmo quando alguns autores têm discutido o desmonte das políticas públicas (policydismantling).

Para Bauer et al. (2012), essa noção parte de abordagens diversas, que incluem a análise de quais são e como são traçadas as escolhas das estratégias, em termos de rupturas, redução de seu alcance ou, ainda, extinção de políticas públicas, e os possíveis efeitos que essas ações podem gerar. Com esse direcionamento, o processo se associa a uma mudança na postura política, de acordo com uma nova orientação ideológica governamental (Korte e Jörgens, 2012).

No Brasil não se pode negligenciar a conjuntura de turbulência política desde 2016, ano que representou um verdadeiro “divisor de águas” no plano das prioridades governamentais. No terreno de reflexão e reconhecendo a importância do tema para o desenvolvimento do país e da comunidade onde vivemos a Agenda da Biodiversidade, com foco nas APs, vem sendo conduzida no Brasil, por meio de duas vias metodológicas:

i) análise da cobertura jornalística, entre 2017 e 2018, período paradigmático de transição política e, também, momento de inflexão, no que se refere à pauta socioambiental, a partir de Oliveira et al. (2022); e
ii) análise dessa pauta, entre 2017 e 2021, à luz da Agenda 2030 (UN, 2015a), por meio da decodificação das narrativas dos denominados Relatório Luz da Sociedade Civil da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável no Brasil.

Organização das Nações Unidas (ONU), defende o valor internacional da biodiversidade, estabelecendo princípios para normatizar, no plano global, a proteção à diversidade biológica, orientando a sua conservação e uso sustentável, com o compromisso de repartição justa e equitativa de seus benefícios. Além disso, nele
se reconhece, pela primeira vez, no direito internacional, que a conservação da biodiversidade constitui uma “preocupação comum da humanidade”, assegurando
aos países signatários a soberania e o controle do acesso aos recursos genéticos.

O Movimento Silva Jardim Sustentável, está alinhado com um esforço global dirigido à ampliação do processo de criação de APs e durante a Décima Conferência das Partes (COP-10) da CDB, foi aprovado o Plano Estratégico para a década passada, envolvendo um conjunto de metas, entre elas a Meta 11 de Aichi, que estabeleceu que pelo menos 17% das áreas terrestres e de águas continentais e 10% das áreas costeiras e marinhas deveriam estar conservadas, até 2020, por meio de sistemas de APs ecologicamente representativas e geridas de maneira efetiva e equitativa.

Silva Jardim, a terra do Mico Leão Dourado é estratégica para a Agenda da Biodiversidade, não apenas por sua condição de diversidade biológica, mas também pelo contexto de pressões crescentes sobre esse patrimônio natural, de valor inquestionável para o processo de desenvolvimento, em bases sustentáveis no nosso território.

A Fazenda dos Cordeiros considera o Programa Nacional da Diversidade Biológica (Pronabio) e a Política Nacional de Biodiversidade (PNB) boas políticas públicas, e na sequência, o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC como políticas publicas. Aqui produzimos mudas de árvores da Mata Atlântica no Horto A², mas em muito nos preocupa o retrocesso reconhecido às tentativas deliberadas de desmonte do arcabouço legal e dos instrumentos de políticas públicas, em função dos inúmeros interesses econômicos e políticos em disputa.

Assim, ações contrárias ao arcabouço legal vigente para a conservação e uso sustentável da biodiversidade e, sobretudo, com relação aos compromissos
assumidos pelo país no âmbito das Metas de Aichi merecem nossa atenção e respeito.

É preocupante que no Congresso Nacional,ainda tramitam Projetos de lei autorizando a caça em parques nacionais ou propondo a extinção de UCs em antigas áreas privadas, cujos proprietários não haviam sido indenizados.

É inaceitável o movimento liderado pelo Congresso Nacional inclusive para desmobilizar a existência do SNUC. Não por acaso, em 2017, o lançamento do dossiê Unidades de Conservação sob Risco: ofensiva contra áreas protegidas abrange uma área quase do tamanho de Portugal (WWF-Brasil, 2017) já alertava sobre os interesses de parlamentares e do próprio governo, impulsionados por produtores rurais e pela mineração, na origem de graves prejuízos ao processo de proteção da natureza no país.

Além das pressões exercidas pelo agrobusiness, pela agenda energética e pela caça predatória é ainda projetos de mineração, como importantes fontes de risco às APs. Essa tendência parece claramente agravada pelas dinâmicas observadas no próprio Congresso Nacional.

Apoiamos todas as organizações ambientalistas que nos bastidores das votações do Congresso Nacional, nas campanhas públicas pelo veto presidencial após a aprovação das MPs pelo Legislativo e na mobilização internacional são fonte de resistência à dinâmica em curso.

Essa afirmação pode ser pedagogicamente ilustrada pela comentada visita do então presidente Michel Temer à Noruega, em junho de 2017, momento entendido pelo movimento ambientalista como uma oportunidade para ampliar a pressão popular pelo veto presidencial às MPs em discussão, considerando a visibilidade que o aumento do desmatamento da Amazônia havia alcançado internacionalmente.

Importante mencionar que, já naquele tempo, a condução da política ambiental brasileira era interpretada como equivocada pela Noruega, um dos principais
financiadores de ações dirigidas ao combate ao desmatamento no Brasil.

A revisão do Código Florestal e os riscos socioambientais dela resultantes, como o aumento do desmatamento, estão contribuído para o aumento do desmatamento no Brasil, sendo o marco para o início de um processo deliberado de desmonte do arcabouço ambiental brasileiro e o primeiro grande êxito da bancada ruralista para a defesa dos seus interesses, na flexibilização do quadro legal vigente, entendido como impeditivo para a expansão das atividades agropecuárias no Brasil.

A implementação do denominado Novo Código Florestal, entre eles o Cadastro Ambiental Rural (CAR), uma base de dados para apoiar a sistematização das informações sobre os imóveis rurais brasileiros, para viabilizar um diagnóstico realista sobre as áreas florestais das propriedades em não conformidade com a legislação vigente e que, por essa razão, deveriam ser recuperadas, sendo esse processo efetivado por meio do Programa de Regularização Ambiental (PRA).

O Relatório Luz, elaboradas, a partir de 2017, por um conjunto de organizações da sociedade com o objetivo de avaliar avanços e retrocessos com relação à implementação da Agenda 2030 e do conjunto dos ODS que a compõem, entre os quais, os ODS 14 e 15, que incidem, respectivamente sobre a biodiversidade costeira e marinha e a biodiversidade terrestre, como anteriormente contextualizado.

Assim, o movimento deliberado de desmonte dessa agenda não é recente, mas vem se consolidando, nos últimos anos, por meio de inúmeras estratégias, no plano de políticas públicas. Esse movimento se efetiva no sentido de inviabilizar os dispositivos legais vigentes ou ressignificá-los em favor dos interesses contrários à conservação da biodiversidade ou, ainda, na tentativa de desmobilização das agências governamentais e das ações necessárias com esse direcionamento.

Essa dinâmica vem tendo respaldo nas diferentes instâncias de governo e, claramente, nas alianças de bastidores entre o Executivo e o Legislativo e parece ter se consolidado como prática e estratégia política daí em diante.

Essa estratégia governamental vem se efetivando, de maneira decisiva, nos últimos anos, por inúmeras vias: cortes orçamentários sistemáticos, enfraquecimento
e esvaziamento de competências dos órgãos vinculados à pauta socioambiental, retrocessos evidentes, com relação à legislação vigente, negligência com ciência e
tecnologia, desmobilização das instâncias de controle social ou, ainda, por meio de construção de narrativas desfavoráveis às políticas públicas de proteção da natureza.

Para tal, se utilizam argumentos em prol do desenvolvimento e da necessidade de equacionamento de conflitos com os demais setores da sociedade. Esse quadro
preocupante parece estar no centro de um sentimento geral de impunidade que, por sua vez, tem favorecido um movimento orquestrado para o desmatamento, em praticamente todos os biomas brasileiros, com riscos evidentes à integridade de UCs e TIs, e que coloca em xeque o próprio SNUC. Coloca em risco, também, os compromissos assumidos pelo país no âmbito da Agenda 2030 (sobretudo com relação aos ODS 14 e 15) e as salvaguardas com relação ao direito de povos e populações tradicionais.

Esse contexto de tensões e retrocessos posiciona o Brasil na contramão de todos os acordos internacionais com relação à Agenda da Biodiversidade, sobretudo quanto aos compromissos previamente assumidos no âmbito da CDB, com ênfase na Meta 11 de Aichi.

Importante enfatizar, nesse sentido, que este representa um agravante, no plano global, quando se considera que estão em curso, no contexto da CDB, as negociações para a Visão 2050, tendo como perspectiva a construção de uma “civilização ecológica”. Isso significa igualmente que, apesar de sua condição de megadiversidade biológica, o país abdica de sua liderança no processo e também das oportunidades que poderiam surgir, considerando o seu papel potencial na construção de caminhos possíveis para o desenvolvimento, em bases sustentáveis.

Ironicamente e, nesse cenário de turbulências políticas, cabe destacar a potência das organizações da sociedade civil que, em aliança com a academia, vêm buscando se posicionar, sistematicamente, contra o movimento de desmonte das políticas públicas de proteção da natureza liderado pelos poderes Executivo e Legislativo.

Ao mesmo tempo em que tiveram um papel significativo no sentido de informar e alertar a sociedade brasileira para os sérios riscos à agenda socioambiental, traduziram, por meio de diversas ações e estratégias, uma multiplicidade de vozes, que buscaram, com o apoio da academia e da mídia, se contrapor a esse cenário preocupante de retrocessos de toda a ordem.

Também por essa razão é importante enfatizar a força dos diversos movimentos contrários ao arcabouço legal vigente, muitos dos quais liderados por setores da sociedade brasileira com forte aderência no Congresso Nacional. Igualmente por este motivo, a cobertura jornalística, no período analisado, teve o papel de trazer à cena principal da arena política os movimentos sociais, e a própria academia, reivindicando o cumprimento dos compromissos vinculados à Agenda da Biodiversidade.

Assim, algumas vitórias foram possíveis, também em termos de repercussão internacional, o que parece indicar que, mesmo no cenário adverso de fortalecimento de setores retrógrados da sociedade brasileira, a potência do movimento social, em sua articulação com a mídia e a academia, representa, ainda, uma esperança para essa pauta.

Embora não existam respostas precisas para essa questão complexa, a Fazenda dos Cordeiros convida você a refletir sobre o tema aqui abordado e aproveite qualquer oportunidade para vir conhecer ao vivo boa parte da nossa Biodiversidade.

Última atualização em 31 de maio de 2026 por Ayrton Violento

Para a Fazenda dos Cordeiros o Turismo EcoRural de base comunitária contribui para agricultura familiar de forma muito mais direta e eficiente do que se possa imaginar.

Sabemos que a quantidade e espacialidade de empreendimentos e iniciativas de turismo comunitário e da agricultura familiar do Brasil é indefinida. Não há política nacional que inclua esses dois atores nas estatísticas oficiais, nem as informações das principais redes e coletivos de turismo comunitário e afins como a REDE BATUC, a REDE TUCUM, a REDE NAHNDEREKO, a ANDA Brasil e a ACOLHIDA NA COLÔNIA.

Existem propostas tramitando na Assembleia do Estado e no Congresso Nacional, mas nenhuma em consulta popular. Nem a Rede Nacional de Turismo Solidário e Comunitário – TURISOL e nem os integrantes remanescentes da extinta Rede de Turismo Rural da Agricultura Familiar – TRAF e da ANDA Brasil possuem indicadores que espelhem essa realidade nacional com precisão.

A extinta Política Nacional de Turismo na Agricultura Familiar (2004/2007) tinha como meta capacitar cerca de 10 mil agricultores por ano, mas não mencionava o montante existente no país. A ANDA BRASIL chegou a contabilizar cerca de 550 circuitos em sua maioria ligados a agricultura familiar em 2014, com mais de um milhão de usuários. O documento do SEBRAE Retratos de Turismo Rural com Foco em Pequenos Negócios (2013) falava da existência de 122 empreendimentos com esse perfil em dez estados brasileiros. Já para o turismo comunitário se estimava a existência de cerca de 500 iniciativas pelo Brasil em 2008, com base na demanda recebida pelo Ministério do Turismo para seu único edital lançado até hoje.

A REDE BATUC – Rede de Turismo Comunitário da Bahia (@redebatuc_oficial), se aliou a Pesquisa de doutoramento intitulada De Mala & Cuia Difusão de Conhecimentos e Saberes em Ecogastronomia e Turismo Comunitário na Educação do Campo (@malacuia_ppgdc) do Programa de Doutorado em Difusão do Conhecimento da UFBA/UNEB/IFBA/LNCC/SENAI-CIMATEC para atualizar alguns dados sobre os empreendimentos e iniciativas da rede referentes a 2025.

Alberto Viana, meu amigo e responsável pelos estudos na Bahia levantou que do ano de 2019 para 2025 houve aumento de iniciativas recebendo visitantes, e que o fluxo de visitantes total teve um aumento de 130% de visitantes/ano, representando um aumento de renda de 234% com relação ao mesmo período

Em Silva Jardim, após a inauguração do Parque do Mico Leão Dourado, é possível perceber pelos esforços das iniciativas e parcerias locais, que o trabalho em REDE, com promoção do destino em eventos no Brasil e no exterior e com as premiações obtidas nos últimos cada vez vai crescer mais e precisamos estar antenados e conectados para tirarmos proveito desse momento único de crescimento e desenvolvimento local.

A Fazenda dos Cordeiros, sempre trabalhando pelas parcerias e fortalecimento das REDEs, acredita que o Portal do Circuito EcoRural de Silva Jardim e o Circuito de Longa Distancia da Trilha do Mico Leão Dourado, incluindo o lançamento de um site, um plano de marketing, aumentará a presença do setor impactando em resultados positivos, principalmente para novos filiados que também já recebem visitantes regularmente.

Silva Jardim é um dos maiores município do Estado do Rio de janeiro em extensão territorial e que tem a maior quantidade de agricultores familiares estabelecidos e distribuídos em pelo menos 3 Assentamentos Rurais, legalizados pelo INCRA, em plena Floresta da Mata Atlântica.

A produção agrícola e pecuária, as atividades rurais não agrícolas como pequenas agroindústrias, artesanatos, estabelecimentos de gastronomia, atividades culturais, artísticas e esportivas, e atividades de finanças solidárias, são elementos que junto com o turismo, vão diversificando a renda, gerando o trabalho e fomentando a fixação da juventude no campo.

O Turismo e sua produção associada também fomentam o trabalho feminino, o cooperativismo popular, ao lado do resgate e fortalecimento de atividades ancestrais, como formas de cultivo, de criação, receitas de preparo de alimentos, rituais religiosos e formas de convivência harmoniosa com a natureza.

Na Fazenda dos Cordeiros e nos demais destinos parceiros do Circuito EcoRural de Silva Jardim, a agroecologia como modo de vida, os saberes populares aliados a conhecimentos científicos, o desejo de bem estar, de reencontro com a natureza, com as tradições, com a vida mais simples e calma e uma alimentação natural e saudável, tem motivados fluxos de visitantes cada vez mais constante, assim como a observação do Mico Leão Dourado.

Iniciativas em comunidades rurais, quilombolas, assentamentos de reforma agrária, territórios indígenas, pescadores artesanais e das reservas extrativistas como por exemplo da Palmeira Jussara, formam um mosaico que vem atraindo visitantes, numa média mensal preocupante em função da falta de infraestrutura básica, como água, saneamento básico, estradas e transporte publico, para um destino que se auto declara “Capital do Eco Turismo”.

A Trilha do Mico Leão Dourado, um circuito de longa distância credenciado na REDE Brasileira de Trilhas que vem sendo implantada pela AMLD e apoio do GEF, via MMA, também alcança áreas protegidas do estado pois diversas iniciativas estão nas Áreas de Proteção Ambiental, no encontro de Reservas Extrativistas e de Parques Nacionais, Estaduais e Municipais.

Estudos comprovam que a renda presumida gerada pelo conjunto das iniciativas, utilizando-se o parâmetro de 2019 atualizado pelo IPCA, poderemos chegar a um gasto médio por visitante de R$ 500,23, o que no total pode alcançar estimados R$ 11.867.942,56, extras circulando no município.

Essa renda complementa e fortalece as atividades rurais principais, confirmando o que Gascón e Cañada (2025) afirmaram com relação a experiências no Peru e na Costa Rica de que as introduções de ofertas turísticas controladas e geridas pela própria população rural podem incentivar a agricultura familiar, complementar as atividades primárias tradicionais sem as substituir, e causar uma sinergia entre essas atividades, ambas se fortalecendo.

A Fazenda dos Cordeiros acredita que os impactos econômicos e não econômicos estão muito próximos e não devem ser analisados de forma isolada. Podemos citar um relato de uma liderança do Quilombo Engenho da Ponte na Bahia (@turismocoletivojovensquilombo).

“uma mãe de um guia de 16 anos me procurou surpresa pois seu filho chegou em casa com uma quantidade de dinheiro que toda a família ganha em 15 dias de trabalho, e ela fiquei com medo que ele tivesse feito coisa errada, tivesse entrado em alguma atividade ilícita, e eu confirmei que foi do turismo comunitário e que ele trabalhou muito bem, e era só o começo…ela ficou tão feliz que ela passou a dar mais valor a própria comunidade…então a gente fica sem poder separar o que é só benefício do dinheiro ou não…”

A Fazenda dos Cordeiros está de porteiras abertas para os grupos se reunirem em REDEs e trocarem conhecimentos e saberes onde todos ganham. Fortalecer todas as comunidades, especialmente da agricultura familiar, assim como seus movimentos sociais, que defendem a regularização de territórios indígenas e quilombolas, a reforma agrária, a pesca artesanal, a agroecologia, a sociobiodiversidade, a economia solidária, a defesa da vida, da diversidade produtiva, e da juventude dentre outras é nossa missão.

Última atualização em 18 de abril de 2026 por Ayrton Violento

Na Fazenda dos Cordeiros além do Turismo e das agroflorestas, produzimos mudas de Mata Atlântica no Horto A², para restauração florestal, somos sócios fundadores da Nativas do Brasil e da ProMudas Rio. Nosso objetivo é contribuir na diversidade de espécies e de formas de vida produzidas para a restauração sustentável e a riqueza genética do material utilizado; ampliar o conhecimento do ambiente natural; destacar o valor das áreas preservadas; e assegurar nossa viabilidade econômica.

A ProMudas Rio, da qual da Fazenda dos Cordeiros é uma das fundadoras, é pioneira em compreender a restauração ecológica como uma atividade essencialmente colaborativa onde a competição deve ser cuidadosamente regulada para que promova, em vez de restringir a restauração ecológica.

As mudas produzidas no Horto A² da Fazenda dos Cordeiros, têm sido utilizadas nos projetos da AMLD-Associação do Mico Leão Dourado, Florestas do Amanhã, FUNBIO, IIS – Instituto Internacional de Sustentabilidade, Caminhos da Mata Atlântica e em diversos outros de caráter privado.

Assim como a ProMudas Rio, a Fazenda dos Cordeiros incentiva e apoia a criação de novos viveiros no Rio de Janeiro porque a produção atual é muito insuficiente para enfrentar o problema no estado. Recentemente, a ProMudas Rio protagonizou a criação de uma associação da mesma natureza de âmbito nacional, a Nativas Brasil, que já conta com a participação de cerca de 70 viveiros, da qual também fazemos parte, e tem representantes em todos os biomas brasileiros.

No Horto A² temos conhecimento das espécies que ocorrem na Fazenda dos Cordeiros, percorremos trilhas, identificamos e conhecemos a fenologia das quase 300 matrizes de árvores nativas, que já produzem. Estamos treinados para escalar árvores e fazer a coleta de material fértil para identificação e reprodução, temos outras parceria firmada com herbários para identificações botânicas e o devido registro na base de dados do REFLORA.

A parceria do Horto A² com a ProMudas e a Fundação Boticário é dedicado à ampliação da diversidade, de espécies, e de formas de vida produzidas para as restaurações ecológicas no Rio deJaneiro.

Um dos frutos da parceira é a identificação botânica que exige conhecimentos além dos detidos pelos identificadores de campo. Nestes casos, ramos férteis são levados ao Herbário Friburguense da PUC-Rio que encarregar-se-á de fazer os registros na base de dados da Flora e Funga do Brasil. Este registro é muito importante para que as espécies tenham ocorrência confirmada no território do Rio de janeiro.

A parceria para implantação do Pomar de Sementes para o Horto A² é a solução para o fortalecimento da cadeia da restauração ecológica por meio da identificação botânica e plantio de novas matrizes de Ipê felpudo nas áreas de coleta da Fazenda dos Cordeiros.

Não é possível restaurar com qualidade a floresta mais biodiversa do mundo sem identificação botânica dos remanescentes que há, que não chegam a 15% do original, sem o georeferenciamento das matrizes com as quais se pode contar, sem sementes ou mudas.
Os novos pomares de sementes vão facilitar a coleta futura de espécies que atualmente se encontram em locais de difícil acesso, reduzir os custos desta atividade, aumentar a diversidade de espécies e de formas de vida disponíveis e a riqueza genética das mudas produzidas.
Este trabalho de recuperação das condições de vida na terra tem como beneficiários todas as formas de vida. A divulgação das novas listas de espécies disponíveis para plantio nos viveiros vai melhorar muito as condições de trabalho dos restauradores.
Esta solução pretende dar início ao processo de instalar e integrar, por meio de uma regulação adequada, muitos viveiros trabalhando em remanescentes florestais diferentes para que juntos disponibilizem uma variedade de espécies, formas de vida de plantas e diversidade genética que serão necessárias para a restauração em escala. Caso esta inicie antes, não será possível fazer com qualidade, o que pode causar danos à natureza.
Esta solução aumenta a oferta, mas não a demanda por sementes e mudas de qualidade, cuja falta só pode ser enfrentada com políticas regulatórias que criem incentivos aos proprietários de terras para fazer a restauração. Para esta política pública de aumento da demanda, só se pode contribuir participando do debate público, o que a ProMudas Rio vem fazendo ativamente.
A primeira atividade a realizada na Fazenda dos Cordeiros foi a identificação botânica que permitiu conhecer melhor o conjunto de matrizes disponíveis para produção. A lista de novas matrizes identificadas foi agregada ao conjunto que já se conhecia para formar um novo conjunto mais amplo de matrizes. Esta fase de identificação botânica incorporou outras formas de vida na identificação, e não apenas arvores, já que atualmente vem aumentando a consciência de que a restauração não pode envolver apenas o plantio de árvores, uma vez que todas as formas de vida são necessárias à reconstituição dos habitats.

Estima-se que a Mata Atlântica do Rio de Janeiro tenha cerca de 20 mil espécies de plantas. A formação de pomares de sementes da Fazenda dos Cordeiros vai proporcionar lotes geneticamente ricos de sementes provindas de matrizes diferentes, com um amplo leque de matrizes aumentará as chances de sucesso das restaurações realizadas.

A seleção dos indivíduos plantados na Fazenda dos Cordeiros obedeceu os critérios listados a seguir: inexistência atual da espécie com ocorrência confirmada em tempo pretérito na área de coleta; oferta insuficiente de matrizes da espécie; espécie endêmica da região ou classificada com algum grau de ameaça de extinção; espécies que ocorrem na região em áreas de difícil acesso.

Em especial, o Ministério da Agricultura sugere que se colete de pelo menos dez matrizes diferentes para formação dos lotes. Este critério foi utilizado para definir se há uma oferta insuficiente de matrizes.

Na Fazenda dos Cordeiros plantamos no interior de remanescentes entre os grupos de espécies que farão parte da área recuperada realizada de modo a garantir a dinâmica de sucessão dos povoamentos.

Esta parceria é muito importante para o aumento da qualidade das restaurações do Estado do Rio de Janeiro. No passado, tentativas de restauração resultaram em florestas vazias, de sucessão estagnada. A formação de florestas biologicamente viáveis depende de muitas ações do que foi possível implantar até agora. Algumas áreas não conseguiram funcionar como abrigo para a fauna e ficaram vazias dos dispersores ou polinizadores necessários para repor as interações ecológicas em movimento. Em especial, reconhecemos hoje que algumas formas de vida não conseguem voltar sozinhas, como é o caso das epífitas ou da fauna que precisa ser reintroduzida. Sabidamente, as árvores representam apenas 15% da floresta e, normalmente, não têm sido capazes de fazer a restauração sozinhas.
A produção de mudas tem mais efeitos benéficos do que não. Porém, a exploração dos fragmentos deve ser adequada ao tamanho do remanescente, sob pena de destruir a floresta que deveria proteger. A coleta de sementes sem garantia de utilização representa perda. Também, a ênfase na redução dos custos com substrato pode levar à retirada ilegal de areia, ao corte de barrancos ou à retirada do solo das florestas. Há outros exemplos de práticas inadequadas que não ocorrem nos viveiros da ProMudas Rio.
O Horto A² da Fazenda dos Cordeiros está sendo beneficiado nesta solução estão operando há vários anos à frente do seu tempo por insistir em trabalhar com a maior diversidade de espécies e genética possível. A demanda por espécies nativas não tem sido grande porque as poucas licitações que há no estado ainda não exigem qualidade. Por esta razão, tem sido possível aos encarregados dos projetos apropriarem-se, como lucro, de toda a diferença entre preços e custos que forem capazes de gerar, justamente por meio da redução da qualidade das restaurações. Até agora, o trabalho de restauração realizado tem sido muitas vezes inútil, retornando as áreas degradadas, com o tempo, às condições anteriores.
Espera-se para o futuro um aumento substancial da demanda causado por mudanças regulatórias, pressão dos acordos internacionais, implantação efetiva do CAR e desenvolvimento do mercado de créditos premium de carbono. Além disto, as novas licitações provavelmente passarão a adotar projetos definidos, prazos muito maiores de implantação e manutenção e a exigir que as compras de mudas sejam feitas de viveiros diferentes para garantia da diversidade genética, o que vai reduzir o poder que os poucos compradores atualmente têm de comprimir as margens dos viveiros levando-os ao fechamento.
Atualmente, não se produz do Rio nem 5% das mudas necessárias para atender aos compromissos internacionais já firmados. A demanda adicional, caso venha ase concretizar, deveria ser atendida por novos viveiros, já que a expansão dos viveiros existentes é limitada pelo tamanho dos remanescentes que exploram. A ProMudas Rio quer ser capaz de apoiar a entrada dos novos viveiros no mercado.
Ainda que o aumento de demanda não se verifique, a ProMudas Rio pode prosseguir em seu modelo de negócios continuando a atender os proprietários que querem fazer florestas biologicamente viáveis.
O objetivo geral da parceria é aumentar a diversidade das restaurações feitas no Estado do Rio de Janeiro. Vários diagnósticos da produção de mudas do estado chamam a atenção para a baixa diversidade. Trata-se de um círculo vicioso. Restaurações aprovadas pelo regulador que exige apenas cerca de 20 espécies (Resolução INEA-143 de 14.06.2017) são replicadas com estas espécies na esperança de maximizar a probabilidade de aprovação final.
O Horto A² da Fazenda dos Cordeiros, implantou o pomar de sementes com 200 novas matrizes do Ipê felpudo, Zeyheria, árvore semicaducifólia com 6 a 20 m de altura e 30 a 50 cm de DAP, tuberculosa podendo atingir, no máximo, 35 m de altura e 90 cm de DAP, na idade adulta, com tronco reto, cilíndrico, fuste com mais de dois terços de altura total da árvore, ramificação monopodial no estagio jovem a dicotômica quando adulta, com a copa colunar quando jovem e cônica a globosa quando adulta.
Escolhemos o Ipê felpudo pela casca com espessura de até 5 cm, cinza-clara a pardo-amarelada, profundamente sulcada e muito fissurada, formando longas cristas longitudinais, escurecendo quando em contato com o ar, massa específica moderadamente densa de 0,80 g.cm³,(Mainiei, 1970a), com cor alburno é espesso, cerne amarelo-escuro, durabilidade alta e madeira flexível.
Essa espécie é o verdadeiro ipê-tabaco, nome dado pelo serradores, operários, quando esta serrando a madeira, ao respirar o pó da serragem, sofre um acesso de espirros, cujo o efeito lembra o pó de fumo popularmente conhecido como tabaco ou rapé (Duarte 1979).
A madeira do ipê-felpudo pode ser usada em construção civil, estruturas de casas e telhados, pisos, paredes de tábuas, obras externas, pontes, tacos de assoalho; cercas, mourões, postes, currais, paióis, cabos de ferramentas e instrumentos agrícolas, principalmente em pequenas propriedades rurais.
Madeira com alto poder calorífico, muito boa para lenha e carvão.

Agora só falta você conhecer o Pomar de Sementes do Horto A² na Fazenda dos Cordeiros. Venha nos visitar e conhecer ao vivo uma das matrizes do Ipê felpudo.

Referências Bibliográficas:
• DEAN, W. (1996) A Ferro e Fogo: a história e a devastação da Mata Atlântica brasileira. São Paulo: Companhia das Letras.
• DIAMOND, J. (2005) Collapse, Ed. Pengoin Books, Nova Iorque,
• FREIRE, J.M.et al;Forest Seedlings Supply for Restoration of the Atlantic Forest in Rio de Janeiro, Brazil. FLORA JCR, v. 29, p. 1-10, 2022.
• SEA – RJ (2010) Diagnóstico da produção de mudas nativas do estado do Rio de Janeiro
• SIMARD, S. (2022) A Árvore-mãe: Embusca da sabedoria da floresta, Ed. Zahar
• RODRIGUES R. BRANCALION P. ISERNHAGEN I. (orgs.) Referencial dos conceitos e ações de restauração florestal (2009) São Paulo, LERF/ESALQ, Pacto Pela Restauração da Mata Atlântica.

Última atualização em 12 de abril de 2026 por Ayrton Violento

A Fazenda dos Cordeiros, como sempre é dito, está sempre de porteiras abertas para seus visitantes, turistas, curiosos e parceiros dentre outros, por entender que sozinho não se chega longe e que compartilhar saberes é sempre uma experiência muita gratificante.
Com esse pensamento filosófico em mente acabamos de firmar uma nova parceira com o REFAUNA, Organização da Sociedade Civil, no qual a Fazenda dos Cordeiros passa ser um dos colaboradores a participar dos planos de trabalho dos Macacos Bugio a serem reintroduzidos com o fornecimento de plantas, no período de transição alimentar.
Para quem ainda não está conectado o REFAUNA é um projeto de base científica que trabalha na reintrodução de espécies da fauna silvestre em áreas de Mata Atlântica onde estas foram extintas pelo homem, em um processo denominado pela academia como “defaunação”.
A Associação REFAUNA, uma organização sem fins lucrativos dedicada à restauração de interações ecológicas em ecossistemas degradados da Mata Atlântica, tendo como principal objetivos Institucionais a translocação de populações de animais para a conservação de espécies nativas.
• A translocação e o manejo de populações animais em áreas naturais dentro de sua área de distribuição original, que estejam extintas localmente ou em risco, de modo a restabelecer ou manter populações viáveis em longo prazo, e restaurar interações e processos ecológicos perdidos; como bugios, antas, e cutias dentre outros.

• Combate à “síndrome de florestas vazias” através do restabelecimento de processos ecológicos, como a dispersão de sementes.
• Parcerias com instituições de ensino e pesquisa tais como UFRJ, IFRJ, UFRRJ, UERJ e Fiocruz dentre outras para suporte científico e com a Fazenda dos Cordeiros para fornecimento de alimentos, mudas e sementes de árvores da Mata Atlântica
• Capacitar profissionais no campo da biologia da translocação e conservação da biodiversidade;
• Contribuir para a sensibilização e educação ambiental de amplos setores da sociedade, conscientizando para o apoio a ações de conservação e restauração da biodiversidade e combate a práticas que ponham em risco a fauna e suas funções ecológicas.
• Cooperar com outros projetos, programas e iniciativas de conservação que tenham fins semelhantes aos seus, particularmente aqueles que se dedicam a restauração ambiental.
• Desenvolver e incentivar ações de manejo e pesquisa que maximizem a probabilidade de permanência das espécies animais translocadas em seu habitat natural de ocorrência;
• Apoiar, promover o intercâmbio e a comunicação com outras iniciativas conservacionistas, realizando e participando de • encontros especializados;
• Oferecer apoio técnico e logístico para o desenvolvimento de pesquisas como dissertações de Mestrando e teses de Doutorado, bem como trabalhos de iniciação científica para estudantes e profissionais;
• Ministrar cursos de capacitação para interessados em realizar translocação de populações animais e refaunação de áreas naturais.
• Promover, apoiando, incentivando e patrocinando seminários, debates, cursos, ciclos de palestras, conferências, exposições, programas artísticos, lançamento de livros, projetos de pesquisa, edição de publicações científicas, técnicas, ecológicas e ambientais;
• Apoiar e patrocinando a participação de seus integrantes em eventos culturais e científicos voltados para a conservação;
• Prestar assessorias e consultorias para outros grupos que visem a translocação de populações animais em áreas onde se encontram localmente extintas ou em risco de extinção, podendo cobrar por essa atividade, aplicando os recursos em outras atividades da Associação;

Assim como na Fazenda dos Cordeiros em vez de apenas valorizar, manter e proteger a floresta que resta em pé, o REFAUNA trabalha para restaurar as interações ecológicas. A ideia é que uma floresta sem animais é uma “floresta vazia” que não consegue regenerar-se sozinha, pois faltam os dispersores de sementes e os predadores naturais.
A Fazenda dos Cordeiros complementa com a parte alimentar os projetos do REFAUNA com as universidades da UFRJ e a IFRJ, salientando que possuímos duas RPPNs, Cachoeirinha e Rabicho da Serra com mais de 100 ha preservados e protegidos todos comprometidos ao ecossistema do Mico Leão Dourado na bacia do Rio São João com apoio da Associação Mico-Leão-Dourado.
O REFAUNA já acumula experiências com a reintrodução:

• Antas: Conhecidas como as “jardineiras da floresta” pela sua enorme capacidade de dispersar sementes grandes.
• Cutias: Roedores que enterram sementes, funcionando como plantadores naturais.
• Jabutis-tinga: Importantes para a dinâmica do solo e dispersão de frutos.

Agora a Fazenda dos Cordeiros vai oferecer alimentos para a reintrodução dos Bugios, macacos que vão ajudar na manutenção da diversidade arbórea da Floresta da Tijuca na cidade do Rio de Janeiro.
Ao trazer estes animais de volta, o REFAUNA ajuda a garantir que a floresta continue saudável e sustentável diretamente ligada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 13 e 15), defendidos pela ONU.
A Fazenda dos Cordeiros está orgulhosa em poder colabora com a reintrodução dos macacos Bugio no Parque Nacional da Tijuca, sendo inicialmente um grupo de três indivíduos (um macho, uma fêmea e uma filhote).
A necessidade nutricional essencial de dieta diária para cada um dos animais do grupo é de 2kg de folhas, de espécies arbóreas não muito abundantes no Parque Nacional da Tijuca.
A oferta desta alimentação complementar é prioritária para manterá o grupo saudável até a soltura, quando poderão complementar a ampliação gustativa na interação com outras espécies nativas, para que o grupo possa aumentar a possibilidade de dispersão e a variedade de espécies na seleção alimentar durante sua ocupação nos espaços de vida depois da soltura.
Na Fazenda dos Cordeiro temos o Horto A² onde produzimos por ano mais de 100 mil mudas de árvores com quase 300 espécies diferentes da Mata Atlântica, dentre elas, algumas muito apreciadas pelos macacos bugios:

Inga edulis
Allohphylus edulis
Guarea guidonea
Myrcia spectabilis
Sorocea bonplandii
Plinia caulifloria
Guapira opposita
Hieronyma alchorneoides
Eugenia brasiliensis
Plinia edulis
Zanthoxylum rhoifilum
Ecclinusa ramiflora
Ceiba speciosa
Machaerium firmum
Tapirira guianensis
Xylopia brasiliensis
Monteverdia gonoclada
Terminalia acuminata
Erythroxylum pulchrum
Apuleia leiocarpa
Pseudopiptadenia leptostachya
Swartzia simplex
Nectandra membranacea
Ocotea diospyrifolia
Miconia brasiliensis
Cabralea canjerana
Guarea macrophylla
Trichilia lepidota
Ficus adhatodifolia
Myrceugenia myrcioides
Myrcia splendens
Myrcia tijucensis
Guapira opposita

Na Fazenda dos Cordeiros coletamos galhos/ramos das nossas matrizes de sementes para estarem mais próxima da realidade se sua alimentação natural. Priorizamos as espécies devem com folhas e frutos, pois essa é a alimentação natural dos bugios.
Na Fazenda dos Cordeiros temos algumas famílias do Mico Leão Dourado, endêmicos da nossa região e os Bugios são mais raros de serem encontrados, normalmente ficam na Serra, na parte mais alta da propriedade, abrigados nas nossas RPPNs, mas é possível avistar estes animais em nossas trilhas e até mesmo na Trilha do Mico Leão Dourado, que faz parte da REDE Brasileira de Trilhas. Agende sua visita e nos acompanhe nas REDEs Sociais.
Na Fazenda dos Cordeiros comemoramos todas as parcerias necessária e importantes que contribuem significativamente para os trabalhos voltados para a conservação ambiental e saiba como realizar uma doação para o projeto ou como se tornar um parceiro institucional aqui no site da REFAUNA.

Última atualização em 27 de março de 2026 por Ayrton Violento

Nos últimos 20 anos, o desenvolvimento do turismo cresceu muito no país e a Fazenda dos Cordeiros está alinhada as políticas públicas, acompanha todos os desafios do Movimento Silva Jardim Sustentável e de porteiras abertas a novas experiências e parcerias do dia…a dia.

Os turistas, de modo geral, que frequentam a Fazenda dos Cordeiros, procuram destinos com potencialidades culturais, históricas e principalmente ambientais, que melhorem as experiências nas áreas que desejam conhecer, tanto por motivos de lazer, férias e estudos, ou como por exemplo, áreas de florestas perfeitas para desfrutar das experiências ao longo do tempos livre pouco disponível nestes dias.

Entendemos que nas áreas urbanas as cidades estão cheias com o desenvolvimento de infraestruturas e de tecnologia moderna que prejudicam a maior parte das pessoas.

“A experiência do turista deve ser entendida como aspecto central da atividade turística, pois determina a procura de um destino/ produto turístico e, consequentemente, a competitividade da própria oferta turística” (Kastenholz, Eusébio, Figueiredo, Carneiro, & Lima, 2014).

Portanto, a maioria dos nossos turistas quer usufruir da vida no campo, como ela é, onde tenham disponibilidade para viverem tranquilamente e para completar os tempos livres com atividades diferentes. Neste caso é claro, os turistas ainda procuram algo que seja mais único para usufruir e experiências na vida cotidiana que ainda não experimentaram, como por exemplo, terem a boa sorte e o prazer de observar o Mico Leão Dourado livres nas florestas de Mata Atlântica por aqui abundante.

Podemos afirmar que o Turismo é plural para aumentar o conhecimento no evento na qual a diversidade é a principal atração que integra a tendência da procura e possibilita à comunidades de Silva Jardim, em especial do Imbaú, desenvolver atividades turística mais abrangente ao visitante, no contexto de destino tangível e intangível, para proporcionar o destino turístico como experiência integrada das características próprias do município.

O Movimento Silva Jardim Sustentável cumpre o importante papel de aglutinar o conhecimento a necessidade do mercado em diversificar os produtos turísticos do destino como um lugar que traz experiências únicas para aperfeiçoar o talento dos visitantes, com fundamentos nas culturas herdadas para explorar, se tornará com a imaginação criativa de comunidade na dignificação do produto e das atividades mais atraentes no município de Silva Jardim.

Ser e ter ações sustentáveis com foco nas Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável definidas pela ONU e estimuladas pelo Movimento Silva Jardim Sustentável – MSJS  para ser atingida até o ano de 2030, está baseado nas necessidades da procura do mundo contemporâneo, de essencial os visitantes ter uma ou mais escolhas dentro dum destino, o que significa que os turistas visitam um destino com expectativas ilimitadas.

Silva Jardim, com as experiências já em curso, pode enriquecer os desejos dos visitantes, por exemplo, através da realização de eventos na coesão social, cultural, histórica e principalmente ambiental, que provoquem as participações dos visitantes e promova atividades e produtos locais que existem, como o Bike Tour, as Jerusas e até mesmo a Banda Honório Coelho, como maneira de diversificação do talento e criatividade existentes, de forma a melhorar as experiências dos visitantes.

Na Fazenda dos Cordeiros, alinhada desde a criação ao MSJS trabalhamos em parceria com as iniciativas já existentes, procurando fortalecer os produtos ambientais como principal base para enriquecer a potencialidade que é oferecida ao mercado turístico de forma coletiva.

Para o MSJS considerando as ODS e a necessidade de colocar em prática a cultura da cooperação, todas as atrações turísticas são promessas de experiências, no sentido em que se apresentam como modelos possíveis relativamente à vivência quotidiana e, portanto únicas.

Na Fazenda dos Cordeiros os turistas surgem como um “algo importante” para o desenvolvimento dos produtos que oferecemos em parceira com as empresas e a comunidade local. Portanto, os turistas são alvo de determinação e sustentabilidade para o crescimento da economia local.

O MSJS vem organizando as iniciativas existentes no sentido de alavancar o crescimento sustentável com foco no Turismo e o Portal do Circuito EcoRural de Silva Jardim, tem o papel de aumentar oferta turística, criativa, como os artesanatos, os restaurantes, hotéis, propriedades rurais, agencias, guias e tudo mais que possa contribuir para uma experiência turística realmente inovadora e criativa em Silva Jardim.

“Esta ligação entre a comunidade receptora e os visitantes assume-se como um elemento central da experiência, uma vez que o contato social que se estabelece permite a construção de memórias e influencia a satisfação dos visitantes, o que terá repercussão numa decisão futura de voltar ao destino” (Kastenholz et al., 2013; Kastenholz et al., 2012a).

Silva Jardim vai se firmar no cenário mundial do Turismo como um destino sustentável, colaborativo e criativo, por força dos atores locais e de você que pode nos visitar para conhecer nossas experiências inovadoras.

Última atualização em 23 de março de 2026 por Ayrton Violento

Ser criativo está mesmo na moda e a Fazenda dos Cordeiros, que pratica o que chamamos de Turismo EcoRural, não pode ficar de fora dessa onda, ainda mais considerando o trabalho que temos desenvolvido nos últimos 20 anos.

Pela academia, o turismo criativo e o modo de funcionamento da comunidade, como um motor de destaque no âmbito cocriador de experiências turísticas relevantes e como modo de assegurar desenvolvimento da sustentabilidade da comunidade.

A diversificação das atividades e os produtos do turismo de base comunitária contribuem para aumentar o rendimento local.

No contexto do desenvolvimento do turismo criativo em Silva Jardim, particularmente no distrito do Imbaú pode minimizar a pobreza e proporcionar experiências turísticas com base nos atores locais, como já existe com as Jerusas e os Silva Jardineiros, através da criação de emprego de forma a responder às dificuldades econômicas e às necessidades da vida no município.

Na Fazenda dos Cordeiros trabalhamos com o objetivo, por um lado, compreender e dar importância da criatividade na comunidade com aplicação de experiências turísticas e, por outro lado, compatibilizar a necessidade com a procura turística.

De modo complementar, tentamos dar conhecimento à participação da comunidade como cocriadores no processo, para que se possa refletir sobre o conceito de turismo que queremos e qual o melhor método de desenvolvimento para transformação do destino Imbaú, como um grande potencial de turismo de base comunitária.

A importância da sustentabilidade na sociedade atual para o desenvolvimento de uma indústria capaz de alcançar o objetivo envolvendo as componentes culturais, sociais, económicas, ecológicas e espaciais, é evidente.

Assim, também no turismo se pode aplicar este conceito. A atividade turística não é só feita de pessoas para pessoas, mas também as pessoas são seres sociais, como uma sociedade comum que vive em comunidade, interagindo umas com as outras, como muito bem definido por Boavida,2012.

A atividade turística é um dos setores que mais cresce no mundo. No mundo atual, a modernização e a tecnologia mais avançadas influenciam a mente das comunidades nas mudanças radicais, em termos sociais e culturais, que vão deixar a identidade local própria como uma herança cultural, herdada pelos seus antepassados como a riqueza da autenticidade.

Além disso, a evolução da modernização e da tecnologia poderia dar vantagem à economia das comunidades que vivem nas áreas rurais, como o desenvolvimento no Turismo de Base Comunitária (TBC) que emerge como uma resposta de resistência às pressões mundiais do mercado turístico em massa que, além de excluírem as populações locais dos potenciais benefícios do turismo, também ameaçam a sua coesão social, cultural e o seu habitante natural (Burgos & Mertens, 2015).

No mundo atual, o mercado turístico ainda vive na comunidade rural e da comunidade urbana. Portanto, para demonstrar uma oportunidade na sustentabilidade à comunidade para todas as potências turísticas culturais, sociais e ecológicas, o desenvolvimento tem origem na comunidade, próprio na base.

“A abordagem do turismo não se limite estritamente ao económico, sendo necessário analisá-lo, sob a ótica da sustentabilidade, como um fenómeno complexo, detentor de outras dimensões – sociais, ambientais e culturais – permeadas de relações e no qual se produzem numerosos impactos inerentes à sua própria implementação, que deverão ser tratados de modo sistémico” (Richards & Wilson, 2007a, P. 275).

A dificuldade no processo de desenvolvimento do Turismo em Silva Jardim, dentre outros fatores é devido a capacidade de gerenciar os recursos existentes para benefício da sociedade local, faltam recursos humanos qualificados e os recursos financeiros insuficientes para melhorar as condições da comunidade atual, pelo que se revela um desafio para alcançar o objetivo do município no processo de desenvolvimento do turismo, a pesar de se auto denominar a “Capital do Turismo Ecológico”.

Silva Jardim é um município com recursos naturais atraentes, como por exemplo o Mico Leão Dourado, uma história e cultura testemunhas de uma procura crescente de turistas internacionais.

O Ministério do Meio Ambiente vem apoiando ativamente o desenvolvimento de iniciativas de turismo de base comunitária, como por exemplo a Trilha do Mico Leão Dourado, que já faz parte da Rede Brasileira de Trilhas sendo um esforços para diversificar o produto de turismo no município e região, reforçando o impacto econômico do turismo na comunidade.

A proposta de um “Circuito” de Turismo EcoRural defendido pela Fazenda dos Cordeiros e outros atores locais visa organizar as iniciativas já existentes de Turismo com base nos princípios do Movimento Silva Jardim Sustentável, para eliminação da pobreza com uma estratégia de marketing de turismo baseado na comunidade, propondo atividades de comercialização a serem efetuadas, bem como as atividades de reforço das capacidades para melhorar as competências e experiências para a comercialização do produto de turismo diferenciado.

A ideia de “Circuito” irá ajudar os atores locais, ONGs, Ministério e demais entidades ligadas ao turismo baseado na comunidade, com a melhoria do Portal existente com ações de marketing online, incluindo o calendário de eventos locais e organizará seminários de formação para as principais partes interessadas do governo, as organizações não governamentais e empresas locais, de forma à colocação no mercado de produtos de turismo de base comunitária do país.

No contexto do turismo criativo que é desenvolvido na Fazenda dos Cordeiros, efetivamente, uma propriedade rural, predominantemente um destino que desenvolve as características da cultura local e existe em coesão com o ambiente social, natural e histórico. Contudo, ainda é evidente a pouca participação dos interessados no turismo com necessidade para compartilhar a sua experiência de forma a beneficiar todos os agentes locais.

A Fazenda dos Cordeiros com alguns dos parceiros já qualificados no Portal do Circuito EcoRural de Silva Jardim, definiram objetivos a serem perseguidos:
● Compreender a importância da criatividade na comunidade, conhecendo todas as experiências existentes para o turismo.
● Valorizar o papel da comunidade no processo de desenvolvimento do Turismo e na preservação da cultura com potencialidades turísticas
● Conhecer o papel dos líderes comunitários na participação nas atividades de desenvolvimento dos produtos turísticos;
● Identificar as potencialidades turísticas, nomeadamente o patrimônio natural e cultural na construção da experiência turística;
● Entender as motivações das empresas locais e identificar o grau da qualidade dos produtos locais nas experiências turística;
● Investigar a capacidade da comunidade de responder aos desejos dos visitantes, como fonte de inovação dos produtos turísticos.

Como todos sabem o desenvolvimento do turismo comunitário caracteriza-se pela participação da comunidade no processo de desenvolvimento da atividade e o produto turístico, que contribui para benefícios econômicos e valoriza a identidade local, estando orientado para a preservação cultural do território.

O turismo de base comunitário é uma forma de atividade turística local, alternativa ao turismo tradicional, onde se valoriza o cunho ambiental e a cultura local. Todas as atividades ligadas ao turismo com a comunidade local devem beneficiar o bem-estar da comunidade, incentivando para a capacitação dos agentes das ofertas para realizar as atividades relativamente aos negócios de turismo nas áreas rurais

“O turismo comunitário é uma forma de turismo que pretende envolver toda a comunidade, o que pode trazer benefícios para as comunidades locais e pode ser promovida a partir dos aspectos sociais e ambientais” (Correia & Construção, 2013, p. 27).

A título de exemplo, este conceito poderá ser definido como a melhoria das condições de vida das comunidades locais residentes nas áreas rurais, através de processos sociais, culturais e ambientais que respeitem e articulem os seguintes princípios:

  1. eficiência económica,
  2. equidade social e territorial,
  3. qualidade patrimonial e ambiental,
  4. sustentabilidade,
  5. participação democrática e
  6. responsabilidade cívica

O Movimento Silva Jardim Sustentável, com foco nas ODS defendidas pela ONU, consagra uma política de desenvolvimento assente na dinamização das atividades turísticas e culturais, como instrumento essencial no combate ao desemprego e ao obscurantismo, contribuindo decisivamente para a estabilidade do desenvolvimento e qualidade social e política do país.

A Fazenda dos Cordeiros alinhada com o MSJS importa-se com a estrutura organizacional dos seus serviços públicos à nova realidade, de forma a estabelecer novos parâmetros dentro da nossa realidade que serão o alicerce fundamental e dinamizador para este setor tão importante para a atividade social e econômica do município

Lembramos que através do turismo de base comunitária subjacente, o investimento publico incentiva o desenvolvimento do turismo e fortalece o poder local como um motor de sustentabilidade econômico.

Portanto, com as atividades de lazer por parte dos turistas é incentivada a preservação do meio ambiente e da cultura local onde existem tradições continuarão a ser mantidas, e todos os visitantes irão ganhar novas experiências, incluindo os turistas internacionais que já nos visitam para conhecerem o Mico Leão Dourado.

O conceito do turismo criativo como indústria é mais vasto quando comparado com setor cultural ou ambiental, a comunidade surge como inovadora, de forma criativa no desenvolvimento das atividades e dos produtos turísticos que existem na comunidade, como descrito por Richard e Raymond em 2020 e marcaram a nova direção do turismo cultural como turismo criativo.

“Turismo que oferece aos visitantes a oportunidade de desenvolver seu potencial criativo através da participação ativa em experiências de aprendizagem que são características do destino de férias onde são realizadas”

Para a Fazenda dos Cordeiros o processo de desenvolvimento no turismo criativo é dinâmico no que diz respeito à inovação de produtos que, ligados à cultura local, criam mudanças na visão do turista que desejamos, com objetivos físicos que dão origem a oportunidade de aprender e visualizar o que temos de melhor, nossa cultura da comunidade, através dos ritos tradicionais, a natureza, danças, modas, artesanatos, culinária e tudo mais.

Na Fazenda dos Cordeiros investimos no desenvolvimento dos talentos locais, só assim, será possível um novo produto que possa proporcionar as experiências da atração turística, como por exemplo, o Mico Leão Dourado ou as Agro florestas existentes em Silva Jardim.

“Considera a imitação criativa como uma forma de gerar valor e como uma estratégia de inovação para o mercado colocando empresas – pequenas, médias e grandes – numa rota de pioneirismo” Kao 1997

Nesse sentido, a criatividade pode ser aplicada ao turismo através do desenvolvimento de novos produtos e atividades ou experiências;
“Novas formas de consumo ou novos espaços turísticos. Pode-se considerar que qualquer forma de turismo relacionado com a imaginação, ou as capacidades imaginativas dos produtores de turismo, se enquadra na esfera do turismo criativo”(Richards & Wilson, 2007).

A comunidade torna-se uma chave para o desenvolvimento no turismo criativo, e como criador dos produtos com algo novo.

Portanto, os produtores existentes devem ter um espírito de mudança e a habilidades para desenvolver produtos primários e para os transformar com a imaginação aplicada aos novos produtos, de forma a atrair os consumidores.

“Traços culturais e os produtos associados a economia criativa da comunidade seriam a base para o turismo criativo, onde o turista quer viver como o local, quer se integrar na vida local e criar algo junto, um diálogo, desenvolver a habilidade dos locais, aquilo que é intangível e inimitável” (Emmendoerfer et al., 2014, p. 7).

No que diz respeito à comunidade, um dos elementos fundamentais para efetuar a condição mais tranquila para os visitantes, na atividade turística, é a criatividade, que se torna um desejo através dos recursos associados.

Portanto, as condições das ofertas turísticas, dos produtos e das atividades nas áreas rurais, aumentam a necessidade de promover um destino inesquecível, tanto ao nível da características dos sujeitos e objetos para impulsionar os visitantes mais tempo no destino, como ao nível das acomodações simples, as quais devem ter limpeza e condições de higiene.

Além disso, a comida local que existe apresenta um sabor único, tem qualidade padrão e proporciona um estilo saudável. Também os artesanatos e as atividades culturais representam a identidade do destino pertinente.

“Foram os primeiros a descreverem o Turismo Criativo como forma de turismo que oferece aos visitantes a oportunidade de desenvolver o seu potencial criativo através da participação ativa em cursos e experiências de aprendizagem que são característicos ao destino de férias que os acolhe” (Emmendoerfer, Moraes, & Fraga, 2014).

Assim, o turismo criativo é a participação máxima da comunidade local e principalmente, dos interessados nas atividades de criação de algo novo, como os produtos e as atividades turísticas, através dos recursos culturais e ambientais para a transformação das componentes socioculturais e ambientais dos sujeitos que lhes estão associados.

No entanto, a experiência turística tem necessidade da participação por parte da comunidade e agentes das ofertas turísticas como as empresas locais, os grupos cooperativos, as líderes comunitárias e as organizações não governamentais, que têm um papel importante nas atividades turísticas nas áreas rurais.

O turismo utiliza abundantes recursos públicos, seria importante para o setor público a assumir um papel mais ativo na promoção do desenvolvimento sustentável, incluindo o desenvolvimento do turismo, e permitindo que o setor privado e as ONG participem do planejamento, tomada de decisão, execução, supervisão e monitoramento dos processos em todo o território de Silva Jardim

Trabalhamos para você vir conhecer e participar das nossas atividades, assim poderemos responder às suas expectativas. Além disso, o desenvolvimento do turismo criativo, depende dessa conexão com vocês de  maneira de desenvolver melhor nossos recursos primários com potencialidade para criar ou mudar as atividades criando novos produtos culturais e ambientais com identidade local, e principalmente com sua contribuição. Esperamos por vocês.

Última atualização em 15 de março de 2026 por Ayrton Violento

A Fazenda dos Cordeiros tem como missão oferecer, com excelência, experiências únicas e inesquecíveis que conectem pessoas com a Mata Atlântica, como forma de valorizar e sensibilizar a importância da floresta em pé.
A Fazenda dos Cordeiros atua para promover vivências profundas que gerem o desenvolvimento local sustentável, o que denominamos de Turismo EcoRural, e uma relação de impacto positivo com as comunidades locais.
Em 2016, foi criado o Movimento Silva Jardim Sustentável como forma de expandir a atuação positiva dos atores locais na região e promover iniciativas que beneficiem ainda mais a Silva Jardim como destino reconhecido e conectado com as ODS defendidas pela ONU no pacto para 2030.
Dentre as ODS consideradas prioritárias pelo Movimento Silva Jardim Sustentável, a Fazenda dos Cordeiros definiu seus principais eixos de atuação: educação, saúde, desenvolvimento local, meio ambiente e Turismo.
Na Fazenda dos Cordeiros acredita nas parcerias e coloca o desenvolvimento sustentável como foco principal, assim é com a Associação do Mico Leão Dourado, Universidades de Breda na Holanda, MIAMI nos USA, USP, UERJ, IIS, Selva Green, Verde Ser,Agrobali, Anda Brasil e Instituto Rios Verde dentre outras.
Hoje em dia estamos começando a trabalhar com o Instituto Bazar e o Jorge Foreger, com apoio fundamental do Instituto Rios Verdes no desenvolvimento do Mico Turismo.
O trabalho de campo com os produtores locais, identificação, pesquisa científica aprofundada são as primeiras ações para um excelente caminho alternativo de preservação, manutenção e valorização da Floresta em pé.
A Fazenda dos Cordeiros está impactada e impressionada com a qualidade do trabalho já apresentado e honrados com as descobertas e a oportunidade de fazermos parte desta construção tão importante que é o lançamento do MicoTurismo em Silva Jardim e região.
A Fazenda dos Cordeiros está de porteiras abertas para muitas outras pesquisas com potencial de desenvolver outras frentes para o Turismo EcoRural, assim como Micoturismo.
O Movimento Silva Jardim Sustentável, é como a Mycelia, que em latim, é o plural de micélio, uma rede de filamentos microscópicos interconectados denominados de hifas nos fungos filamentosos,que segundo palavras do Jorge e forma como devemos trabalhar de agora em diante, aprendendo lições da natureza com a vida, afim de termos abrangência de um indivíduo fúngico ou não nos nossos ecossistemas.
Na floresta a Mycelia é responsável pelo desenvolvimento das atividades fisiológicas, pela nutrição e pelas interações ecológicas das espécies fúngicas e dele formam-se os cogumelos, nos macrofungos.
Para cada gênero observado, além das fotografias que devemos tirar, auxiliando na identificação do número aproximado de espécies, o substrato, a ecologia e as principais características macro e micromorfológicas dos cogumelos por nós identificados na Fazenda dos Cordeiros.
Como sabemos os cogumelos pertencem ao reino Fungi. Estima-se que possa haver cerca de 3,8 milhões de espécies de fungos no mundo, mas a ciência ainda conhece menos que 10% dessa estimativa.
Quando os cientistas se perguntam onde estão os 90% de espécies desconhecidas, os olhos do mundo se voltam para o Brasil, em especial a Amazônia e a Mata Atlântica.
Na Fazenda dos Cordeiros acreditamos que seja verdade que boa parte desta diversidade desconhecida esteja na Mata Atlântica, pois, em curta caminhada pelas nossas trilhas na florestas, logo encontramos dezenas de espécies.
Segundo estudos recentes, esta diversidade é resultante da evolução de mais de 400 a 600 milhões de anos dos macrofungos: Ascomycota e Basidiomycota.
Os fungos são responsáveis pela maior parte da decomposição da matéria orgânica nas florestas, especialmente da celulose, hemicelulose e lignina dos vegetais, possibilitando a ciclagem de nutrientes da floresta.
Para a maioria das plantas, as associações com fungos chamadas micorrízicas e endofíticas são cruciais para sua sobrevivência.
No entanto, este ainda é um reino pouco conhecido pela sociedade, o que reduz a percepção de seu valor.
Afinal o que é o projeto Micoturismo na Fazenda dos Cordeiros:
Mico (= fungo) + turismo é uma atividade ecoturística em torno dos fungos de forma
educativa, inovadora, lúdica, recreativa, gastronômica, econômica e de fortalecimento da cidadania ambiental.
Possui dois principais pressupostos:
1) preservação da biodiversidade;
2) desenvolvimento sustentável local na gestão de recursos silvestres.
O Mico Turismo na Fazenda dos Cordeiros vai apresentar a beleza e a diversidade de cogumelos da Mata Atlântica para a sociedade.
O Programa incentivado pelo Instituto Rios Verdes do qual a Fazenda dos Corderios faz parte busca incentivar a comunidade local a contemplar, fotografar e valorizar a diversidade de cores, formas e tamanhos dos cogumelos.
Fique atento as nossas REDEs sociais e programação de atividades para conhecer pessoalmente nossos Cogumelos

Última atualização em 8 de março de 2026 por Ayrton Violento

Na Fazenda dos Cordeiros temos 3 eixos principais de atuação:

  • Turismo EcoRural
  • Agricultura Sintrópica
  • Mudas da Mata Atlântica

Agora falaremos do Turismo EcoRural, como ele se desenvolve, seus desafios e suas características, considerando que não é de fácil aplicação, sobretudo em curto prazo, uma vez que para o seu cumprimento devem contar com o compromisso do setor privado, com outros produtos locais e a organizações da sociedade civil.

O Turismo EcoRural, que praticamos mesmo sendo qualificado pelo prefixo “eco”, não designa apenas uma prática convencional de turismo dirigido às áreas naturais, geralmente ocasionando problemas, como expulsão e marginalização de populações locais, poluição e degradação dos recursos naturais, expropriação e ocupação do território. degradação de culturas tradicionais, entre outras consequências, já constatadas pela academia, GOMES, 2003.

Na realidade, a busca pela “venda” da natureza como “produto de mercado”, faz com que toda e qualquer atividade nela desenvolvida, seja rotulada como ecoturismo, neste sentido, discute que a natureza é transformada pela mídia, em desastre ou paraíso. A imagem da natureza como paraíso alimenta o marketing no ecoturismo, tendo como foco o mercado e não a conduta consciente do turista no ambiente natural.

A literatura testemunhada por Fennel assinala que o ecoturismo “foi reembalado e produzido em massa, na expectativa de aumentar sua participação no mercado”. Neste contexto, surge a emergência de um perfil de demanda elitizada pelo ecoturismo, associado a um público capitalizado e disposto a pagar pelo “encontro” com o ambiente natural, inflacionado pela comoditização da natureza.

Na Fazenda dos Cordeiros o que denominamos de “ecorural” visa o o contraponto com a realidade cotidiana, a oportunidade de experiência integral de valor afetivo, a partir da interação do sujeito com os recursos naturais e culturais que possuímos no ambiente rural, tendo a natureza como principal fator inspirador .

O Eco Turista Rural que desejamos “não é um turista qualquer”. Idealmente , o nosso turista se pauta na conduta consciente, na busca de experiências diferenciadas, que visem à conservação do patrimônio natural e cultural, com a expectativa de que a sua prática turística venha a contribuir para o desenvolvimento local.

Na Fazenda dos Cordeiros o turista ecorual participa do cotidiano de uma fazenda de verdade, não é um agente passivo de um processo decidido por empresas de turismo e viagens, muito menos um figurante da pressão do mercado “ecologicamente correto”, mas sim um agente de transformação social protetor da natureza e da cultura rural, capaz de contribuir positivamente na mudança do processo socioeconômico local.

A Embratur realizou um estudo sobre demanda turística internacional para o Brasil, o qual investigou também a demanda pelo ecoturismo. Este estudo revelou que a motivação para a viagem dos ingressos no país, em 2000, foi de 57% por turismo e 23% por negócios. No primeiro caso, o fator decisivo para a escolha do país esteve relacionado aos seus atrativos em geral, e desses apenas 14% foram diretamente relacionados ao ecoturismo. A entrada de turistas, em 2000, chegou a 5,3 milhões, porém, destes poucos visitaram os locais designados como pólos do ecoturismo no Brasil (MAGALHÃES, 2001). Estes dados indicam que o ecoturismo no Brasil e, não está ainda consolidado como alternativa no mercado. Cabe ressaltar ainda, a dificuldade do êxito do desenvolvimento do ecoturismo na Amazônia, por exemplo, pelos altos custos envolvidos em deslocamento e dificuldades de acesso, o que tende a restringir e selecionar o perfil do turista, mesmo que, no panorama mundial, o crescimento da demanda pela prática do ecoturismo tenda a ser superior às taxas de crescimento do turismo em geral (GTC/PROECOTUR/MMA, 1998).

Também é preciso considerar que o Brasil é um destino, cuja oferta se associa a preços elevados para o “eco” em relação à diversidade de destinos turísticos disponíveis mundialmente. Considerando que estamos a pouco mais de 100km da cidade do Rio de Janeiro, principal porta de acesso dos turistas estrangeiros no Brasil e que no imaginário coletivo o “eco” se vincula muito mais à cultura e, portanto, ao fator humano, do que ao patrimônio natural, muitos estudiosos envolvidos na discussão sobre o tema criticam a maneira pelo qual o ecoturismo vem sendo difundido no Brasil e no mundo. Por essas e outras razões que na Fazenda dos Cordeiros praticamos o Turismo EcoRural, como defendido nos estudos para o Ecoturismo de Base Comunitária, pela OMT que apontam que, em sua origem, o ecoturismo é realizado por pequenos grupos, em uma prática de mínimo impacto, de modo que proporcione conhecimento e interpretação do patrimônio natural e cultural, e interação com o modo de vida local (MITRAUD, 2003).

O enfoque importante à ressaltar se baseia, principalmente, na conduta ética do turista que desejamos na Fazenda dos Cordeiros, onde não interpretamos o ecoturismo apenas sob o viés econômico, mas com base em suas interfaces social, cultural e ambiental, além do compromisso de desenvolvimento com as populações envolvidas, nas práticas educativas compatível com os propósitos de conservação da natureza.

Na Fazenda dos Cordeiros um dos principais desafios tem sido a mobilização e engajamento político da população local diretamente afetada a conservação da natureza e melhoria da qualidade de vida. A sistematização de dados e a própria avaliação crítica de desempenho não é simples considerando o conceito que vem sendo utilizado de forma equivocada, “para qualquer tipo de turismo, no qual o bem natural é o atrativo, mas os compromissos de sustentabilidade não parecem claros”.

Assim, o Turismo EcoRural se confunde com outras terminilogias na definição de ecoturismo, como turismo de aventura, turismo de natureza, turismo ecológico, sustentável, agroturismo, turismo rural, turismo verde, turismo em áreas naturais, entre outros. O Turismo EcoRural praticado na Fazenda dos Cordeiros, devido ao seu potencial inclusivo e de conservação da natureza é uma importante alternativa para a promoção do desenvolvimento local sustentável, uma vez que desenvolvimento não implica apenas a esfera econômica, mas principalmente o fator humano, que segundo Coriolalo (2003) e esse é um dos maiores desafios da sociedade contemporânea.

A Fazenda dos Cordeiros inserida no Movimento Silva Jardim Sustentável defende o desenvolvimento territorial sustentável, com base no “eco” turismo, um veículo potencial no campo das reflexões fundamentando, tanto na dimensão endógena, que enfatiza as necessidades internas das populações de determinado ecossistema, quanto na dimensão exógena, que visa, por sua vez, uma mudança no contexto social a partir da interrelação do homem com seu hábitat.

O Movimento Silva Jardim Sustentável trabalha um coletivo dinâmico que busca Interpretar o desenvolvimento como processo de mudanças, sobretudo qualitativas, a ser construído sob a ótica local, que permite “a construção de poder endógeno para que uma determinada comunidade possa autogerir-se, sendo estimulado e fortalecido o seu potencial social, cultural, econômico, ambiental e político; e, sobretudo, o seu bem-estar social. Nesse caso, os recursos endógenos são entendidos sempre como ponto de partida e nunca como ponto de chegada, e desenvolvimento local tem que ser reconhecido como um processo que não ocorre em curto prazo, envolvendo uma série de transformações e de estratégias que venham a promovê-las.

O que a Fazenda dos Cordeiros mais estimula no Moviemento é uma noção polissêmica, e necessariamente comporta tantas quantas sejam as dimensões em que se exerce a cidadania. Assim, a idéia de cidadania passa a ser norteadora na tentativa de se mensurar processos e estoques de bem-estar e qualidade de vida, e se associa ao indivíduo autônomo, crítico e reflexivo, contrariamente ao “indivíduo-massa”.

Portanto, “o desafio do Movimento Silva Jardim Sustentável e dar conta dessa complexidade, e não voltar as costas para ela. O Turismo responsável, com forte destaque ao “eco” é a ferramenta de participação social, um elemento central para o êxito de todas as iniciativas locais.
O conceito de participação social é entendido por Loureiro (2005, p. 23):

‘…um processo que gera a interação entre diferentes atores sociais na definição
do espaço comum e do destino coletivo. Em tais interações, como em
quaisquer relações humanas, ocorrem relações de poder que incidem e se
manifestam em níveis distintos em função dos interesses, valores e
percepções dos envolvidos…’

O Movimento Silva Jardim Sustentável, compreende que o processo envolve compartilhamento dos poderes, respeito ao outro e garantia de igualdade, dentre outras. A participação social é condição primordial para que determinados atores sociais mobilizem seu próprio potencial, representem agentes sociais ao invés de atores passivos, gerenciem os recursos, tomem decisões, realizem e controlem as atividades que afetam a sua vida. O engajamento da população no processo de desenvolvimento sustentável, constitui um passo essencial para a transformação da nossa realidade.

A Fazenda dos Cordeiros entende que o principal papel do Movimento Silva Jardim Sustentável e a luta pelos direitos individuais que vai resultar numa intensa construção comunitária, a partir do seu “poder interior de despertar e conduzir os homens uns aos outros, face a face”, dando forma à coletividade em processo de transformação contínua, conforme Saviolo, Delamaro e Bartholo (2005, p. 29) já desertara em seus trabalhos científicos.

E isso não significa destruir costumes tradicionais, mas agregar e, ou criar novos valores e práticas. Assim, para que a comunidade se efetive, cada um de seus membros deve confirmar o outro na ação recíproca que se instaura no diálogo.

Temos que estimular o dialoga amplo, irrestrito, proporcionando participação social e quando essa é efetiva no processo de desenvolvimento, esse se torna uma experiência transformadora, podendo tornar as pessoas mais reflexivas a seu respeito e provocar a revisão de questões que afetam o seu futuro e dos recursos naturais dos quais dependem.

Participação social provoca um efeito psicológico sobre os que participam em um determinado processo, assegurando uma inter-relação contínua entre o funcionamento das instituições e as qualidades e atitudes psicológicas dos indivíduos que interagem dentro delas. O exercício da participação em tempos de Redes Sociais tende a consolidar o “valor da liberdade para o indivíduo, capacitando-o a ser seu próprio senhor”. O processo participativo assegura, que ninguém do grupo seja senhor de um outro, uma vez que todos são igualmente dependentes entre si e igualmente sujeitos as regras do grupo.

No Movimento Silva Jardim Sustentável as decisões coletivas são aceitas mais facilmente por todos e o efeito da participação social é o de integração, uma vez que “ela fornece a sensação de que cada cidadão isolado pertence à sua comunidade”. Queremos que o Movimento Silva Jardim Sustentável a nível local exerça o verdadeiro efeito educativo da participação, pois é nessa esfera que as questões tratadas afetam diretamente a comunidade e nossas vidas cotidiana.

O Turismo EcoRural praticado na Fazenda dos Cordeiros e defendido como modelo desejável de desenvolvimento local deve ressaltar a participação da comunidade local na elaboração de instrumentos de planejamento com o enfoque na diversidade como aspectos essenciais para o êxito de qualquer projeto que busque o desenvolvimento ético e equilibrado da sociedade civil.

Pensar transversalmente universos de referências sociais e individuais significa abdicar do saber totalitário e optar por novas formas de construção de realidade baseadas no saber compartilhado, na experiência coletiva e no poder da participação. Só assim o Turismo com base no “eco” deve discutir prioridades e identificar que passos deverão ser dados com este objetivo, que concessões estarão dispostas a fazer, e quais os elementos inegociáveis de sua postura relacional. Isto implica na necessidade de garantir, localmente, a pluralidade possível de idéias e controvérsias, e aceitar que estes são elementos constitutivos do princípio dialógico, que envolve incerteza e risco

Venham visitar a Fazenda dos Cordeiros, colaborar com o Movimento Silva Jardim Sustentável…e fazer sua opinião ter voz.

Última atualização em 24 de fevereiro de 2026 por Ayrton Violento

Na Fazenda dos Cordeiros o Turismo EcoRural, como gostamos de definir, é interpretado, atualmente, como uma alternativa possível para o desenvolvimento territorial, principalmente em áreas protegidas, como as nossas RPPNs e a Bacia Hidrográfica do Rio São João, sobretudo como consideramos os princípios de mínimo impacto e participação da comunidade local no processo.

Na Fazenda dos Cordeiros, nossa agricultura orgânica no sistema Sintropico de Agrofloresta, como defendido por Ernest Goest, traz a possibilidade de uso múltiplo dos recursos florestais. Este sistema tem sido desenvolvido diretamente relacionado as estratégias de planejamento defendidas pelo Movimento Silva Jardim Sustentável, centradas em uma discussão ética sobre sustentabilidade, sem colocar em risco a integridade do patrimônio cultural e natural além de garantir a inclusão social.

As RPPNs, Cachoeirinha, Rabicho da Serra e as demais áreas de reserva legal da Fazenda dos Cordeiros constituem um modelo de Turismo EcoRural em área protegida, concebida sob a lógica de integração sociedade e natureza. Esta abordagem tem o olhar psicossocial como seu fio condutor e revela que os moradores locais entendem o EcoRural como potencialidade para o desenvolvimento local.Mas para tal, trabalhamos constantemente a mobilização, capacitação e organização para que esta prática seja implementada, a partir de decisões coletivas e controle das ações empreendidas, com o compromisso de melhoria da qualidade de vida e proteção da biodiversidade.

Na Fazenda dos Cordeiros trabalhamos nos últimos 25 anos em busca por modelos de desenvolvimento sustentável para a vida rural em plena Mata Atlântica, que conciliem crescimento econômico, equidade social e conservação da biodiversidade. O desafio é grande diante de um modelo de desenvolvimento, baseado na economia capitalista e globalizada, e de interesses e ações conflituosas, em diferentes escalas geográficas. Segundo Becker (2005), em nível global, a Mata Atlântica e a Amazônia é percebida como espaço a ser preservado para a sobrevivência do planeta, devido à sua alta biodiversidade. Em âmbito nacional, a percepção dominante é associada ao elevado valor ecológico. A comunidade do Imbaú, principalmente os jovens demandam projetos governamentais de incentivo ao seu desenvolvimento, que se fundamentam nas peculiaridades locais, principalmente, no sentido de conter o forte êxodo rural, ordenar o território e promover a melhoria da qualidade de vida.

A Fazenda dos Cordeiro exerce um papel moderador e animador do Movimento Silva Jardim Sustentável, que busca o desenvolvimento de consenso entre os socioambientalistas e os novos modelos, ciências e tecnologias, que consideram a importância do patrimônio natural e a cultura tradicional da região, como os melhores caminhos para o desenvolvimento desejado. Com este objetivo, importantes iniciativas estão em curso, na busca de alternativas para a superação dos problemas identificados na região, que incluem a baixa escolaridade,limitadas oportunidades para o desenvolvimento econômico, limitações de acesso às novas tecnologias de produção, dificuldade de escoamento de produtos locais, carência de infra estrutura básica e ausência de políticas públicas direcionadas às demandas de desenvolvimento sustentável, dentre outras.

A Fazenda dos Cordeiros, a Associação do Mico Leão Dourado, a Verde Ser e o Instituto Rios Verdes, dentre outras tem um papel protagonista no processo, uma vez que tem atuado baseado em um modelo de ocupação do espaço e uso dos recursos naturais voltados, principalmente, para sua subsistência e uso de tecnologias de baixo impacto, geradas e transmitidas pela tradição local

A proposta do Turismo EcoRural adotado pela Fazenda dos Cordeiros a se originou no modelo francês de Turismo Responsável, na Alsace, adotado pelo Parque Regional dos Vosges e foi concebida sob a lógica de integração sociedade e natureza. Este modelo de ocupação do território busca o uso racional dos recursos naturais renováveis e a proteção dos modos de vida e da cultura das populações tradicionais, sendo esse defendido por vários segmentos da sociedade civil organizada, como uma das alternativas para o desenvolvimento social, econômico, cultural e ecológico.

Mas embora no contexto atual, a importância de populações tradicionais para a conservação da biodiversidade e para a manutenção de serviços ambientais tenha reconhecimento global, a sua consolidação exige ainda a superação de inúmeros desafios. Na Fazenda dos Cordeiros entendemos que o uso múltiplo da floresta é a prática do Turismo EcoRural como uma importante alternativa econômica para o fortalecimento da cultura tradicional e a redução da pressão sobre os recursos naturais renováveis, como já descito por MORAES & IRVING, 2007.

O Turismo EcoRural é uma pratica sustentável de turismo, que pode representar uma alternativa possível para a conservação da natureza e a melhoria da qualidade de vida das populações locais, sobretudo por considerar princípios de mínimo impacto e participação das populações envolvidas, no que tange aos benefícios socioeconômicos gerados, como descrito por IRVING, 2002a; BARROS & DINES, 2000 a respeito do tradicional Ecoturismo.

É bom lembrar que na sociedade contemporânea, o turismo é reconhecido, como um dos setores econômicos de maior crescimento no mundo. Mas… é um fenômeno social complexo, que envolve o deslocamento voluntário e temporário de indivíduos ou grupos de pessoas por motivos de lazer, gerando múltiplas inter-relações de importância social, econômica e cultural DENCKER, 2007.

De acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT), as estimativas para o turismo apontam para 2,1 bilhões de chegadas internacionais em todo o mundo, até 2030 (UNWTO, 2008). Neste contexto, o Brasil se encontra na 30ª posição no ranking de países mais visitados do mundo (SLOB & WILDE, 2008). Mas em um cenário de crescente demanda por lazer, as estatísticas de turismo e o discurso oficial, frequentemente, expressam concepções idealizadas dos benefícios possíveis gerados pelo desenvolvimento turístico, e tendem a mascarar e minimizar os impactos negativos socioambientais e culturais decorrentes deste processo (IRVING et al, 2005). Neste sentido, Ouriques (2005) aponta que o turismo tem reproduzido, ao longo dos anos, as contradições do sistema econômico vigente, aguçando a lógica do capital, quando se apropria dos espaços e seus recursos naturais e culturais.

No que diz respeito ao ecoturismo na Mata Atlântica, esse tem sido desenvolvido dissociado de estratégias de planejamento centradas em uma discussão ética sobre sustentabilidade, colocando em risco, frequentemente, a proteção do patrimônio cultural e natural da região e causando importantes impactos de exclusão social das populações locais, como salientado por Cruz (1999). Assim, o ecoturismo surge como uma “projeção distante na economia local, como uma possibilidade remota no mundo globalizado”, mas se configura como questão central para a reflexão acadêmica e para a possibilidade de distribuição de benefícios pelo uso dos recursos naturais renováveis (IRVING, 2006, p.46).

Por essas e outras razões é que defendemos o Turismo EcoRural, que entende e contempla as atividades do homem no campo, com a visão moderna de bens findáveis e desenvolvimento sustentável. Este contexto inspira alguns questionamentos norteadores da presente dissertação:
Como o Turismo EcoRural pode se tornar uma alternativa possível para o desenvolvimento sustentável e viabilizar o engajamento efetivo das comunidades locais?
Como superar o desafio de implementar o Turismo EcoRural como prática consistente com as demandas locais em áreas de preservação?
Como sair do enfoque mercadológico e operacional, para a reflexão e questionamentos que contribuam para uma compreensão do turismo, para além do viés técnico e administrativo, sobretudo para uma concepção de turismo como alternativa possível de desenvolvimento local, associado à análise das relações socioambientais geradas e reinventadas entre pessoas e localidades.

Esta experiência do Turismo EcoRural na Fazenda dos Cordeiros proporciona um verdadeiro “encontro na Mata Atlântica”, que remete ao estudo de Pimentel (2007), que considera o turismo como a arte do “encontro” e o estabelecimento de vínculos, entendidos no contexto do que Mauss (2003) denominou de “paradigma da dádiva”. Assim, o “encontro” entre a proprietário, turista e moradores envolve uma troca de valores, que estabeleceu nova forma de perceber e interpretar a dinâmica local, considerando, fundamentalmente os valores locais, no sentido da concepção de turismo que se deseja construir.

O ecoturismo, tal como se discute na contemporaneidade, origina-se nas décadas de 1970 e 1980, na mesma época em que o movimento ambientalista conquista muitos adeptos a favor da proteção da natureza e, a questão ambiental passa a fazer parte das preocupações de diferentes instâncias políticas globais, desde governos locais até os grandes organismos internacionais, entrando definitivamente na agenda dos grandes temas estratégicos mundiais. Isto ocorre, principalmente, com a publicação do Relatório Bruntland7, em 1987, pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas, o qual chamou a atenção do mundo sobre a necessidade de se buscar novas formas de desenvolvimento, que atendesse as necessidades do presente sem comprometer as possibilidades das gerações futuras de atenderem as suas próprias necessidades (CMMAD, 1991).

A proposta de Turismo EcoRural da Fazenda dos Cordeiros e como um despertar da sociedade para a preservação de áreas naturais de forma sustentável com a presença do homem rural. A natureza não é intocada, é sustentável onde a descoberta, a educação e o espírito de responsabilidade , e passa a ser um “argumento valioso” (LIMA, 2003, p.71). É o EcoRural tendo como inspiração o ambiente natural preservado, para não ser então interpretado, como uma possibilidade para a minimização da degradação dos recursos naturais e para o uso do ambiente natural de forma sustentável.

Acreditamos que progressivamente uma nova demanda de turistas, responsáveis, interessados em conhecer destinos ligados à natureza preservada, na busca de alternativas às formas convencionais de turismo aparecerão a partir da busca cada vez maior pelo contato com a natureza e os agentes e operadoras de turismo já começam a trabalhar com destinos turísticos associados à natureza preservada, buscando no “eco”, um diferencial de mercado e no “rural” sustentável, para fomentar o turismo. Assim, o aumento de demanda será acentuado.

Parcerias são importantes na Fazenda dos Cordeiros e a Associação do Mico Leão Dourado com o recém inaugurado Parque do Mico Leão Dourado em Silva Jardim, também se insere na discussão sobre o turismo responsável que queremos. Outras ONGs ambientalistas reconhecem nessa prática, grande potencial de arrecadação de recursos financeiros para a conservação da natureza, além da oportunidade para o desenvolvimento de iniciativas de educação ambiental (PIRES, 2002). As ONGs passam a ser um dos principais segmentos sociais envolvidos com a prática e a discussão sobre conceitos e ferramentas do Turismo EcoRural e do ecoturismo tradicional (RABINOVICI, 2008). Em relação à dimensão conceitual vinculada ao ecoturismo, a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) adota o seguinte conceito:

Ecoturismo consiste em viagens ambientalmente responsáveis com visitas a áreas naturais relativamente sem distúrbios, para desfrutar e apreciar a natureza, juntamente com as manifestações culturais do passado ou do
presente que possam existir, e que ao mesmo tempo promove a conservação, proporciona baixo impacto pelos visitantes e contribui positivamente para o envolvimento socioeconômico ativo das populações locais (CEBALLOSLASCURÁIN9, 2002, p.27).

A International Ecotourism Society (TIES), que o define como: “Responsible travel to natural areas that conserves the environment and improves the well-being of local people” na verdade muito mais próximo do que chamamos Turismo EcoRural

O reconhecimento em nível mundial, da importância econômica, social e ambiental do ecoturismo, se consolidou com a designação do ano de 2002, como o Ano Internacional do Ecoturismo, pela Organização das Nações Unidas (ONU), com o apoio da Organização Mundial de Turismo. Esse reconhecimento visou estimular governos, empresários, populações receptoras e os próprios turistas a dedicarem mais esforços para que o ecoturismo seja uma alternativa possível de desenvolvimento local (COSTA, 2002).

No Brasil, já em 1994, o Grupo de Trabalho Interministerial em Ecoturismo, que reuniu representantes do Ministério da Indústria, Comércio e Turismo e o Ministério do Meio Ambiente e da Amazônia Legal, além do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), e de empresários e especialistas no tema, elaborou “Diretrizes para uma Política Nacional de Ecoturismo”, considerando a seguinte conceituação para ecoturismo:

Ecoturismo é um segmento da atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações envolvidas (BRASIL, 1994, p.19).

O Turismo EcoRural praticado e defendido pela Fazenda dos Cordeiros não é apenas um turismo interpretado como uma viagem orientada para a natureza, mas também constitui uma nova concepção de turismo, tanto como prática social como econômica. Assim, o “ecorural” é um fenômeno social e tem como objetivo viabilizar a melhoria das condições de vida das comunidades locais, ao mesmo tempo, em que minimiza os impactos sobre os recursos naturais e culturais, compatibilizando a capacidade de carga e a sensibilidade de um ambiente natural e cultural com esta prática.

Finalmente o que melhor caracteriza a prática do Turismo EcoRural praticado na Fazenda dos Cordeiros:

  • Envolve viagens a destinos preservados;
  • Minimiza impacto a partir de uma conduta consciente;
  • Incentiva uma consciência ambientalista;
  • Promove benefícios econômicos diretos para a conservação;
  • Fornece benefícios financeiros para as comunidades
  • Respeita tradições e a cultura local;
  • Apóia os direitos humanos e o processo democrático.

Última atualização em 16 de fevereiro de 2026 por Ayrton Violento

A Fazenda dos Cordeiros é uma fazenda que recebe turistas, amigos e familiares, fugindo do padrão de Turismo Rural que se apresenta hoje na maioria das fazenda que procuram sustentabilidade através do Turismo. Considerando o mundo de hoje no qual se amalgamam a natureza, a tecnologia e o desenvolvimento do capital, onde surgem e tomam novos significados pensamentos filosóficos, teorias científicas e identidades culturais sob as influências da globalização, da aceleração e da instabilidade da vida, decidimos convidar Fritjof Capra com sua visão ecológica para tentarmos entender essas relação…se é que existem de fato….

Podemos dizer que o mundo atual está marcado entre a contradição e a hibridação, revelando sua complexidade. No contexto desse quadro social, as transformações no tempo de ócio e nas formas de lazer adquirem notoriedade. A Fazenda dos Cordeiros vem ao longo dos últimos anos trabalhando em consonância com tais mudanças e observando o surgimento de novas demandas de satisfações via experiências rurais verdadeiras, fortes e intensas.
A prerrogativa contemporânea por experiências marcantes encontra seu denominador comum no Turismo EcoRural, como gostamos de definir aqui na fazenda, as práticas rurais verdadeiras capaz de proporciona o contato com a natureza e com o patrimônio cultural local, de forma a suscitar emoções como o êxtase e a adrenalina. Assim apresentamos respostas às novas demandas que estão relacionadas a realização de atividades que se contrastam ou se aproximam do trabalho diário e da vida cotidiana como ela, afinal somos apenas “uma fazenda que recebe”
Aqui você terá experiências de viagem diferenciada, por desafios, a “aventura” é cobiçada na tentativa de descartar-se da rotina, de recarregar as energias, de aliviar o estresse, ou até mesmo como um aperfeiçoamento das habilidades de flexibilidade, rapidez e dinamismo que o mundo contemporâneo, instável e
Acelerado nos vem exigindo.
Tendo em mente as diversas modalidades, práticas, tecnologias, motivações, símbolos, riscos, ambientes e tudo mais que convidamos você a compartilhar nossa visão ecológica no contexto de Fritjof Capra. Nesse sentido, expande-se a discussão para além de conceitos turístico, tendo em vista a necessidade de apresentar um quadro dinâmico, as particularidades e as idiossincrasias do segmento rural, com foco no Turismo EcoRual.
Na Fazenda dos Cordeiros trabalhamos alinhados com o pensamento ecológico, de Capra, que é oposto a lógica disjuntiva e ao conhecimento fragmentado. A partir da prerrogativa de não ceder ao pensamento simplificante, acreditamos no pensar complexo, em que a incerteza não é expulsa, mas é integrada, em que a dúvida não é desvalorizada, mas considerada.
Para alcançar o pensamento complexo que se caracteriza pela união, pela conjunção e pela articulação, é necessária uma reforma do pensamento que compatibilize o conhecimento do contexto, do global, do multidimensional e do complexo com as atuais realidades multidisciplinares, transversais e planetárias (MORIN, 2005).
A contextualização das informações é imprescindível, pois estas estudadas de forma isolada perdem sentidos e para ter significado a palavra necessita de seu texto e o texto requer o contexto onde é enunciado. Acreditamos no princípio do global, da diversidade das partes relacionadas de modo inter-retroativo ou organizacional.
Trabalhar na Fazenda dos Cordeiros em harmonia com o pensar complexo, ecológico, exige a compreensão dos fenômenos transcendente aos referentes contextos, numa orientação para uma lente que enquadre o todo, aliada à ideia de inter-retroação das partes. O esforço de entender o Complexus significa:
[…] o que foi tecido junto; de fato, há complexidade quando elementos diferentes
são inseparáveis, constitutivos do todo (como o econômico, o político, o
sociológico, o psicológico, o afetivo, o mitológico), e há um tecido interdependente,
interativo e inter-retroativo entre o objeto de conhecimento e seu contexto, as partes
e o todo, o todo e as partes, as partes entre si.
Consideramos que o conhecimento especializado e fragmentado, em função de seus recortes, impossibilita perceber “o que foi tecido junto”. A especialização extrai o contexto dos fenômenos, ao mesmo tempo em que rejeita as relações e intercomunicações com o meio e o insere no setor conceitual abstrato que é o da disciplina compartimentada, cujas fronteiras quebram a sistemicidade e a multidimensionalidade dos fenômenos, conforme defende MORIN, 2005, um pensador francês.
A Turismo EcoRural proposto e defendido pela Fazenda dos Cordeiros não quer ser exaltado como mera mercadoria a ser consumida até suas últimas conseqüências, queremos difundir a epistemologia da complexidade da vida rural, percebida como uma colcha de retalhos de diversos conhecimentos justapostos. Apresenta-se a complexidade, portanto, como um desafio ao pensar, tendo em vista que esta pressupõe uma reformulação do
pensamento, onde se privilegia as noções do global e do total, e se exclui a simplificação.
Trata-se de um esforço para romper com o método da disjunção entre as partes separadas e fechadas e da redução a um elemento simples, dado o fato que a inteligência mecanicista e reducionista rompe o complexo do mundo em fragmentos disjuntivos, fragmenta os problemas, separa o que está integrado, torna unidimensional o multidimensional.
“É uma inteligência míope que acaba por ser normalmente cega” (MORIN, 2005, p.43).
Dessa forma, a abordagem da complexidade propõe unir o que foi compartimentado e enfim compreender, a partir de um olhar para uma “totalidade aberta”, as inter-relações entre o todo e as partes multidimensionais.
O físico Fritjof Capra defende uma visão ecológica, que nos inspira e afasta as visões mecanicistas e reducionistas de Descartes e Newton.
Capra, expõe que se observa hoje uma revisão das concepções e das idéias nas ciências como parte de uma transformação cultural e social muito mais ampla, pois o paradigma que está retrocedendo gradativamente perpetuou o conhecimento por centenas de anos, durante os quais modelou a sociedade ocidental e influenciou o restante do mundo.
A nova visão apreende o mundo como um todo integrado e não como uma coleção de partes dissociadas. “A percepção ecológica reconhece a interdependência fundamental de todos os fenômenos e o fato de que, enquanto indivíduos e sociedades estão todos encaixados nos processos cíclicos da natureza” (CAPRA, 1996, p.25).
Apesar de adotar as expressões “holístico” ou “ecológico” para designar o novo
paradigma, Capra (1996) esclarece que estas se diferem ligeiramente, pois a visão “ecológica” transcende a noção da totalidade e da interdependência das suas partes, ao denotar instantaneamente a inter-relação com o ambiente natural e social. Ademais, o sentido da palavra “ecológico” utilizada por Capra associa-se com o conceito de “ecologia profunda” da escola filosófica fundada por Arne Naess, no início da década de 70.
(…) a ecologia rasa percebe o ser humano como localizado fora da natureza, o que a torna antropocêntrica, e a ecologia profunda não faz esta separação por compreender o mundo como uma rede de fenômenos (…)
Vale a pena lembrar que esta abordagem “ecológica”, não é uma novidades, e no século XIX,ficou conhecida como “sistêmica”, a maneira de pensar que ela sugere foi nomeada de pensamento sistêmico. Dessa forma, um sistema passou a significar um todo integrado cujas propriedades essenciais nascem das relações entre suas partes.
Na Fazenda dos Cordeiros, consideramos os princípios da visão ecológica, fundamental na concepções dos nossos pilares de sustentabilidade, representados pela interdependência, pelo fluxo contínuo de recursos, pela cooperação, pela parceria, pela flexibilidade e pela diversidade, onde propomos dialogo permanente entre os atores locais e os poderes legalmente constituídos. A perspectiva do pensar ecológico complexo sinaliza para um processo dialético irredutível e incontornável entre o humano e a natureza, como bem descrito por Morin (2005):
… “o homem está na natureza; a natureza está no homem”; ressignifica o conhecimento, diferindo-o da ciência da simplificação e dos princípios de ordem, clareza, distinção, disjunção que a constituem; e aproxima-o dos valores da cooperação, integração, interdependência, multidimensionalidade que a visão ecológica amparada no paradigma da complexidade enfatiza.
Transformar em realidade o Turismo EcoRural à luz da teoria da complexidade e da visão ecológica requer um esforço focado no todo complexo e nas inter-relações das partes que constituem esse segmento, como também no contexto em que ele se realiza. Com o intuito de organizar a presente reflexão optou-se por estruturá-la em função da configuração e da dinâmica do segmento turístico e do sujeito, o turista.
Inicialmente, destaca-se a notória problemática de definição deste nicho turístico, dada às contradições e imprecisões evidenciadas no mercado e na academia. O principal conflito que se confirma ao tratar da conceituação deste setor se baseia na dificuldade em unificar a percepção de aventura de um grupo, pois ela é particular e sua compreensão apresenta variações de indivíduo para indivíduo com base em suas histórias, tradições e culturas.
Na Fazenda dos Cordeiros nossa abordagem conceitual para o Turismo EcoRural, conjuga a atividade com o espaço, ambiente que proporciona a exploração e a descoberta da ação a ser exercida pelo turista, propondo com as emoções que a viagem proporciona, a partir do reconhecimento da história local e integração com seus atores.
O conjunto de vivências e experiências realizadas na Fazenda dos Cordeiro com seu cenário natural proporciona emoções fortes, sensação de prazer e configuram a experiência da vida no campo como ela é.
Não obstante, os espaços naturais que proporcionam as sensações ecológicas, são circunstancialmente locais de natureza frágil e por sua vez de maior potencial de riscos à natureza e às comunidades locais. Nesse sentido, somente a partir da compreensão da organização e da dinâmica territorial é que podemos refletir e avaliar os impactos que provocamos pela apropriação mesmo que efêmera da natureza pelo turismo.
Convidamos você para conhecer o pensamento ecológico de Capra aplicado na Fazenda dos Cordeiros, onde na verdade criamos apenas uma provocação onde possamos, ao vender ou consumir o Turismo, entender melhor o quão responsável somos pelo lugar onde vivemos, trabalhamos e desfrutamos.
Sabemos que na prática a teoria é outra e que podem não dar conta de nossas reflexões, em virtude da multiplicidade de temas inerente ao contemporâneo nicho do Turismo.
Na dialógica dos paradigmas da complexidade e da visão ecológica, numa concepção para além das obviedades aparentes, reducionistas, vamos olhar o que transcende as características mercadológicas de oferta e procura, na perspectiva do pensamento ecológico complexo.

Última atualização em 20 de janeiro de 2026 por Equipe de Comunicação

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